domingo, 18 de junho de 2017

Adormecer, Casamento

O calor tem sido demasiado nestes últimos dias, o que me dificulta dormir, ainda mais que o normal. Só quero descansar, já vou para a cama com o pensamento que não vou conseguir adormecer, fico às voltas com ideias absurdas, medos surreais, pesadelos acordados.
Fui a um casamento de um familiar, já não ia há uns anos a um evento desse género, fico sempre nervoso. Não preciso de dizer o medo que senti desse convívio, ver familiares que já não via à uns anos. Foi um dia de calor intenso, 40 graus para a maior parte do dia, tive que levar um fato sufocante e obviamente sapatos fechados que não permitem respirar os pés. A minha mãe e avó não deixavam de pensar nesse dia nas últimas semanas... não têm mais nada em que pensar, fico triste pela pouca vida activa delas. Tomei banho, fiquei à espera no quarto da hora de saída, a ansiedade aumentou, despachei-me mais depressa do que o previsto, ia vestindo uma peça de roupa progressivamente lentamente, estava muito calor não queria vestir o fato antecipadamente. Ainda era cedo, mas chatearam-me que era tarde, tinha razão, fomos os primeiros a chegar. Os convidados foram chegando e depressa falaram do tema que tanto temia, "quando é que arranjas uma mulher"? Todos os meus primos da minha faixa etária estão casados, alguns com bebés pequenos. Lá respondia que ainda não tinha encontrado a certa, ou na brincadeira que era muito exigente. Estava com receio que eles vissem na minha cara o fracassado que sou. Fiquei com inveja, gostava de ser pai, fico babado quando vejo crianças pequenas. Durante a festa fiquei algum tempo a refugiar-me na brincadeira com os miúdos, não ficava muito tempo no mesmo sitio, nada de conversas com ninguém, observava o pessoal a dançar e a divertir-se. Alinhei numa brincadeira para não parecer mal com um tipo que admiro por ser extrovertido, cada vez que o vejo está num país diferente e tem outra mulher, impressionante. Todos devem pensar que sou um desinteressado, alheado, desligado. Mais um dia que me senti que não pertencia a este mundo. Não sei(claro que sei) como as pessoas aguentam tanto tempo nestes eventos, para mim são uma seca, as horas não passavam, a festa deve ter acabado de madrugada, fui embora mais cedo por causa dos problemas de saúde da minha mãe. Nunca tinha ido àquela quinta de casamentos, quando fui para casa de regresso enganei-me no caminho, cortei num cruzamento cedo de mais, andei às voltas até encontrar o percurso certo, já estava tão baralhado que até nos sítios que já conhecia me confundi, fiquei lixado comigo mesmo, não consigo memorizar um simples trajeto. Ainda por cima já estava com a minha típica dor de cabeça, acontece sempre que vou para algo diferente. O que vale é que era perto, se um dia me convidarem para longe como farei? Não tenho confiança nenhuma, por sorte ainda não aconteceu mas um dia poderá acontecer. Quando cheguei à terra vi tanta gente numa festa, voltou outra vez o pensamento que não sou normal, nem sabia qual o artista que estava a actuar.
No outro dia as criticas negativas deixaram-me em baixo, não aproveitei o resto do dia, tinha planeado uma coisa diferente, até conhecer uma figura pública que sigo no instagram, mas no momento não fui capaz de lá ir ter com elas. Mesmo que tenha um mínimo de razão perco, pois não tenho capacidade de argumentar, nesse dia fiquei mesmo mal. Está a tornar-se uma constante, fico deprimido, mas felizmente no dia a seguir melhoro.
Irrito-me com muita facilidade com a minha mãe e avó, não consigo ter paciência, demoram muito tempo em coisas que deviam ser mais rápidas, no outro dia cheguei a gritar, arrependo-me, mas quando estou assim não me consigo controlar. Tenho que melhorar muito nesse aspeto, às vezes quero silêncio e até o ouvir dos passos me enervam.
Hoje estou a escrever fora de casa, no quintal, lá dentro está um inferno, não sei como vou dormir com tanto calor, assim nem me apetece ver uma série ou jogar...btw estou a escrever de noite, ainda nem configurei o fuso horário deste blog, acho que existem 8 horas de diferença entre a hora que aparece no blog e a hora real que escrevo. Até os sons dos grilos e dos gatos me deixam enervados. Amanhã tenho que acordar cedo para mais uma ida ao hospital, espero mais uma noite em claro.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Ansiedade Elevada; Decisões

Não acho normal estar tão ansioso quando estou em casa sem fazer nenhum, não consigo relaxar por mais que me tente distrair. Tentei inventar algo... observei as flores, visualizei os pormenores da pedra da casa, peguei na enxada para raspar umas ervas, fui buscar a escada e espreitei para dentro de um ninho, limpei caleiras, apanhei laranjas, cortei uns galhos... nada me cura por mais que tente diversificar actividades. Imagino as brincadeiras que posso fazer com o cão "alugado", preparei uns paus e pedra para lhe atirar, fica tolo de emoção, mas o burro não os devolve, é um brincalhão, parece que gosta de trollar comigo. Se tiver calor, pego na mangueira e molho-o, será que vai gostar? Cansa-se com facilidade, sai a mim. Penso ansiosamente no dia de amanhã, procuro uma razão para estar melhor, no dia a seguir igual, é um ciclo que não consigo sair.  É caricato ficar com mais stress nessas ocasiões do que por exemplo quando estou no trabalho e tenho imensas coisas a fazer! Tenho mesmo que procurar ajuda, não queria tomar medicamentos, os relatos que leio na net assustam-me.
Tomar decisões torna-se complicado, não saber qual a certa, medo de escolher a errada, deixar andar acaba por ser a opção, mas não devia ser assim. Tenho que fazer uma listagem de vantagens e desvantagens, os prós e os contras... não sei o que fazer. Sinto-me injustiçado, enervado, apetecia-me gritar com ele, explicar-lhe o que se passa, mas não posso, estou amarrado. Não me pode obrigar a tomar uma decisão imediata, tenho que pensar. Até o percebo, mas se soubesse a minha realidade, sinto-me envergonhado, não devia passar por isto quando estou a trabalhar. Só queria um emprego estável, a situação está novamente a ficar descontrolada, depois de uma pequena melhoria, sai mais dinheiro do que entra, a divida aumenta, assim não vamos longe. Apostei tudo, estou em grandes sarilhos, o risco é enorme, se isto correr mal vou ficar de rastos, não sei se me conseguirei erguer psicologicamente. Se alguém ler isto, não vai compreender, isto é só um desabafo da minha parte, preciso de escrever para me sentir melhor, é uma terapia, desculpem.
Depois de me obrigar a comprar o fato agora quer que adquira uns sapatos a condizer, tenho uns praticamente novos que calcei umas 3 ou 4 vezes, acho um desperdício de dinheiro, vou acabar por ceder.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Como conhecer uma pessoa tímida? Casamento, Tarde de Folga

Como conhecer uma pessoa tímida? Devia saber, afinal sou uma! É impossível haver uma relação entre tímidos, se ambos são retraídos e não têm o poder de iniciativa, automaticamente está destinada ao fracasso. É pena, porque podíamos ter muitos sentimentos em comum, gostava tanto de lhe ler os pensamentos, o pessoal que me conhece deve dizer o mesmo.  Estar em grupo é muito complicado, ouvir histórias dos outros, ser incapaz de contar algumas pela minha inaptidão de diálogo.Não sei escolher as palavras certas, não me lembro delas, deixo de ter neurónios, quero chegar muito rápido à conclusão... entretanto os conversadores saem e o silêncio é constrangedor, tento juntar-me a outro grupo. Uma tagarela(inveja) enquanto falava tocou-me várias vezes, não sei qual o significado, provavelmente dever ser um tique, mas despertou-me desejo. Evito ao máximo estas situações de convívio, acho que acaba por ser normal, as pessoas fogem quando não estão à vontade. Fico preocupado com a impressão que deixei, não deve ter sido famosa. Vou ter saudades, já as sinto hoje. Fico saturado comigo mesmo, passo o dia a querer chegar a casa, apanhar o sol do final do dia, ir para a espreguiçadeira ler um livro, bater uma bola contra a parede, chatear o gato do vizinho, jogar Far Cry Primal, ver as noticias de deporto, o instagram onde sigo apenas figuras públicas (jogadores de futebol ou mulheres que me atraem como atletas ou atrizes), fóruns, youtube...as habituais actividades de lazer solitárias.
Carlos Albuquerque... tinha que inventar um nome, na altura do registo saiu-me este sem justificação plausível, o objetivo é esconder-me no anonimato, arrependo-me de ter escolhido um tão comprido. No entanto não acho justo enganar as pessoas, como vi num comentário a tratarem-me por Carlos.
Em breve vou a um casamento, não consegui ser eu a escolher a roupa, a minha mãe já tinha pensado no fato que ia comprar, como sempre para a não desiludir fiz-lhe a vontade. Tenho tanto medo desse convívio, ver primos que já não vejo aos anos, vão me perguntar como ainda não tenho ninguém, porque não estou inscrito nas redes sociais, vão achar que sou estranho.
Já estava a melhorar da minha dor da zona rectal, agora estou outra vez pior, é uma desilusão quando pensamos que estamos curados e de repente volta a dor.
Resolvi tirar uma tarde de folga, fui ao centro comercial, almocei uma pizza, cortei o cabelo, fiz uma massagem aromática(a massagista diz que eliminou algumas contracturas, mas continuo com as mesmas dores), comprei uma prenda para o meu afilhado, visitei lojas de roupa, fui ao cinema. Mas mais uma vez o sentimento de culpa e a tristeza não me largam durante o dia, estou desiludido comigo mesmo por não conseguir alterar o meu estado de espírito. Desligo-me facilmente da realidade presente, estou sempre alheado, dentro do meu mundo de ideias, por exemplo até a ver o filme em vez de estar concentrado na acção, estava a pensar em coisas que não tinham nada a ver, memórias que vou buscar sem qualquer contexto. Passei por uma vitrina, onde tinham expostos alguns panfletos de uma agência de viagens... como gostava de fazer uma viagem ao estrangeiro...
Se existisse o gênio da lâmpada e me aparecesse, sei bem qual o desejo que pedia, nada de dinheiro, saúde, apenas que me retirasse esta inabilidade.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Pai, Poder de Atração, Dor...

Quanto mais contacto tenho com o meu pai mais verifico o enrascado e atabalhoado que ele é. Parece que não pensa, bloqueia, atrapalha-se, é esquecido, na farmácia fiquei com vergonha, só me apetecia fugir. Pode ficar incontinente para o resto da vida, não sei se vai aguentar se tal acontecer, nem tive coragem de contar a conversa que tive com o enfermeiro. Observei-o desde o carro enquanto ia para casa, a cambalear devagar, apavorado, desengonçado, fico tão triste quando o vejo assim em baixo. Também me começa a atrapalhar a minha vida, por exemplo saio de casa a meio da noite para o ajudar. O tempo passa e percebo o porquê de ter assim esta personalidade, tenho todos os defeitos dos meus pais, não deviam ter gerado um filho ao mundo. No dia a seguir já começa a perceber melhor, parece que tem uma aprendizagem retardada, é como eu, ou seja no momento da acção é como se o cérebro hibernasse, a vergonha é tanta que não capta metade do que é dito. Tenho medo que o meu futuro se torne igual ao dele, mas eu não vou ter ninguém que me ajude...
O meu cérebro, coração e corpo está sedento por uma relação, qualquer rapariga que tenha um mínimo de contacto penso logo se está disponível, fico com vontade de a conhecer, mas não sei como falar com ela, como abordá-la, tenho medo que me ache patético. Invejo as pessoas que falam abertamente de todos os assuntos sem qualquer problema. Vivem o dia a dia, não poupam, totalmente o oposto de mim, fiquei admirado com as histórias de vida de uma mulher que já tem trisnetos.
Não ter conhecimentos é muito mau, principalmente quando não se sabe fazer nada.
Momento de masoquismo: Fui ver os mails, os sms's que troquei com a minha ex, uma temporada que por uma vez na vida senti-me mais normal. Momento Nostálgico: Ver fotos antigas e ter saudades daqueles tempos.
Fico tão chocado com certos temas que abordam, felizmente desconhecia muita coisa. Parece que tenho o poder de atracção, por exemplo se falarem em piolhos dá-me vontade de coçar a cabeça, se falarem em tosse, começo a tossir...por vezes a ignorância é mesmo uma bênção.
Estou preocupado com uma dor que tenho frequentemente na zona do recto, será que é problema da próstata? Dos Intestinos? Vou constantemente à casa de banho obrar e urinar, sempre atribui isso a aspectos psicológicos, quanto estou o dia todo fora de casa é uma loucura as vezes que preciso aliviar-me. Se for a um sitio desconhecido a primeira coisa que procuro são as casas de banho. Já falei com o médico, ele disse que provavelmente não era nada de especial, mas que para confirmar teria que fazer um exame, o problema é que são preciso duas pessoas e eu não sei a quem recorrer. Ainda vou contrair uma doença grave por ser assim, tão passivo.  Deixa-me tão abalado, sem vontade de fazer nada, apenas quero ter saúde, se já não posso ter outras coisas.
Financeiramente as coisas estão a correr melhor, tenho recebido alguns vencimentos em atraso, a minha família tem-me ajudado, por exemplo quando vou com a minha avó às compras ela paga-me a gasolina, somando isto tudo já tenho algum dinheiro à ordem, nem sei o que fazer com ele, investir em qual aplicação financeira? Tenho tanto medo depois do último fundo ter corrido tão mal. Devia comprar um carro novo, gostava de um melhor, mas para aquilo que ando sei que o meu é suficiente,  farto de ter que andar sempre atento às fugas de água e óleo.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Dias Intensos, Nova Formação, Prima, Pai

Estes últimos dias tem sido intensos... trabalho, uma nova formação, pós recuperação cirurgia pai, consultas mãe, obras em casa, estou sempre a mil à hora, stressado com saudades dos meus tempos calmos, como por exemplo ir para o quintal apanhar sol e ler um livro... chego a casa com a cabeça em água, nem consigo fazer as minhas atividades de lazer inúteis.
Estas formações deixam-me completamente de rastos psicologicamente. Muitas vezes quero intervir, mas não consigo devido à minha timidez, penso que é uma inutilidade e acabo por perder a coragem. Rezo que a formadora não me pergunte nada, pois devo bloquear e não me sai nada de jeito. Muitas vezes nem tenho opinião, não sei o que dizer, toda a gente a tem, devo ser caso único no mundo. Fico revoltado pois estas formações obrigatórias não tem muito interesse, nem sequer são importantes, ando a perder o meu tempo, ao menos que fosse algo mais adequado à minha formação académica, mas não tenho alternativa, tenho que a gramar, só quero que termine depressa. Às vezes desligo-me e voou nos pensamentos para outros assuntos, de qualquer maneira procuro sempre organizar-me e aprender o máximo que posso, detesto faltar, fico em desvantagem em relação aos outros formandos, mas desta vez vai ter que ser, espero que aceitem a justificação.  Os intervalos lembram-me o inicio do secundário, todos em volta, onde muitas vezes a falta de diálogo impera revelando a minha incapacidade de comunicar com os outros. Não gosto quando as pessoas sabem que sou daquela localidade e vêm com perguntas conheces a fulana x? Fico sempre embaraçado, nem sequer sei quem são as minhas vizinhas. Deste grupo não me identifiquei com ninguém, tirando uma mulher aparentemente também bastante calada. Gostava de tentar falar com ela, conhecê-la melhor, mas não sei como quebrar o gelo, vai ser impossível.
Recebi uma noticia, não sei se é má ou péssima. Provavelmente vou ter que trocar a moradia pelo apartamento mais cedo do que esperava, a chegada prematura de uns familiares assim o obrigam. Por mais que pense nas vantagens, vejo mais desvantagens... não devia ser assim.
Sou filho único, no entanto desde sempre morei com uma prima uns anos mais velha, é como se fosse uma irmã. Quando era pequeno andávamos sempre à porrada e depois fazíamos as pazes, era uma relação saudável, mas com o tempo deteriorou-se. Ela tinha os seus interesses e eu tinha os meus, não sabia o que falar com ela. Morávamos na mesma casa, mas eramos desconhecidos, ela enfiava-se no quarto e não saía de lá, até os horários das refeições eram incompatíveis, por exemplo jantava às 19:00 e eu às 21:00, apesar de morar juntos havia vários dias que não a via. Atualmente casada, continua a ir muitas vezes à minha casa, não me liga nenhuma, nem eu a ela, não estamos zangados, simplesmente a minha personalidade justifica mais uma relação que podia ser unida mas é estranha. Acho que devia ajudar mais a nossa avó, só pensa no bem estar dela e nos seus filhos, suponho que seja normal. É assim com vários membros da família, não consigo mudar.
Tenho procurado ajudar o meu pai o máximo que posso, visitá-lo sempre que possível, mas tenho a sensação que a família do lado dele acha que eu não lhe ligo nenhuma, o que é obviamente incorreto, não sei como mudar-lhes a opinião. É um facto que devia ter mais interesse nas terras dele que um dia podem ser minhas, mas o trabalho do campo não é para mim. Ele tem muita lenha, escusava de a comprar se soubesse usar um motosserra, teria que pagar a alguém para fazer o serviço, espero que essas decisões tenha que as tomar bastante mais tarde.
Tenho exames para fazer, mas na minha zona não são comparticipados pelo estado. Ou pago do meu bolso ou tenho que me deslocar a uma grande cidade e fazer 150km's para um sitio completamente desconhecido. Acho que vou optar pela primeira opção, obviamente o que um gajo normal optava pela 2º.
A bateria do carro da minha mãe morreu. Fui procurar na net como fazer as ligações para a voltar a metê-la a funcionar, segui todos os passos mas sem sucesso, é mais um exemplo da minha aselhice.
Olho para mim ao espelho, ou nas selfies, de vez em quando acho que tenho uma aparência agradável, melhor que muitos, olhos bonitos, definitivamente não é pelo aspeto físico que não tenho ninguém, outras vezes acho que tenho um ar drogado, olheiras gigantescas, uma cor de pele estranha, incapaz de alguém no seu perfeito juízo se interessar por mim.
A minha mãe agora está sempre a arrotar, tão alto que me incomoda bastante, não aguento o barulho, fico tão triste de a ver sofrer assim. Cada um tem a sua cruz, a minha é cada vez mais pesada, mas a culpa é minha, não faço nada para a tornar mais leve.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Pai, Anormalidades, Boleia, Observado, Miuda do Restaurante


O meu pai felizmente está melhor da depressão, aquele olhar assustador de tristeza já desapareceu, agora está novamente bem humorado e pronto para me chatear a cabeça com os discursos surreais que só ele sabe fazer. Foi submetido a uma cirurgia, tal como eu é mesmo enrascado, teve que ser a irmã a fazer a mala, ele nem sabia bem o que lá tinha dentro, não sei como consegue viver sozinho. Casou com uma segunda mulher, infelizmente faleceu devido a cancro. Tem duas irmãs, todas viúvas tal como ele. Tinha uma relação dentro do normal como a minha minha madrasta como em todas as minhas relações não me dava mal, mas também não dava muita confiança. Há uns anos queria-me juntar com uma das suas sobrinhas, é claro que a minha timidez fez com que não se desse qualquer oportunidade de conhecê-las profundamente. Não sei quanto tempo vai ficar internado, estou em pânico com as visitas e possíveis pessoas que posso ver, só mesmo eu para ter este tido de anormalidades.
Vou dar alguns exemplos das minhas anormalidades em relação às pessoas "normais": Música - Quando oiço uma musica que gosto, faço o download dela e não paro de a ouvir enquanto não a "enjoo". Na maioria das vezes como gosto só de uma parte da musica estou sempre a "rebobiná-la", isto centenas de vezes até me fartar.  Depois tenho o hábito de estar sempre a aumentar e a diminuir o volume, não sei porquê mas dá-me "pica", enquanto isso fantasio personagens que gostava de ser, principalmente ser um conhecido jogador de futebol. Livros: Sou capaz de demorar mais de 10 vezes que o normal a ler um livro. Estou sempre a fantasiar e imaginar a história, os cenários, os lugares, vivê-la na primeira pessoa. O mesmo se passa com jogos, séries ou filmes. Imagino uma amiga/namorada loira com cabelo comprido de olhos azuis com um corpo fenomenal, brincalhona, diariamente presente comigo.
Depois de uma visita ao hospital o meu pai pediu-me que desse boleia a umas vizinhas. Preocupei-me logo, o que vou falar durante aqueles 30 minutos de viagem?  Elas já com certa idade, a viver numa aldeia, nunca tiveram contacto com tecnologia. Quando era criança nas raras vezes que ia à aldeia onde morava o meu pai lembro-me de brincar com as filhas dela e sobrinho. Pareciam-me um bocado retardados, pois perderam vários anos na primária. Perguntei-lhe por eles pois já não os via à muito tempo... começou a falar e nunca mais se calou. Mais um caso de uma mulher em que é mal tratada por um homem, foge e depois volta para os braços dele... por vezes fico feliz por ser solitário, pelo menos não participo nestas confusões. Chegou a um ponto que desliguei, deixei de acompanhar o que dizia, mergulhado nos meus pensamentos, é um hábito que tenho que deixar de lado. O facto é que geraram uma família, vivem como é suposto, ao contrário de mim.
Sinto muitas vezes que estou a ser observado, será que nos prédios tem uma boa visão para o meu quintal? É possível que me estejam a observar e a gozar comigo depois de me verem, a minha privacidade está em risco depois da minha vizinha ter cortado as laranjeiras que resguardavam o quintal e de terem aberto um caminho lá atrás. Ainda ontem corri dez minutos às voltas no meu quintal, ridículo se alguém me viu.
Sinto que não faço parte de nada, vivo a vida como um Voyeur, aquele que vê e não participa.
Lembro-me de uma oportunidade única que tive de ter algo com uma mulher em que desperdicei-a. Tinha uns 20 anos, no restaurante onde almoçávamos diariamente havia uma miúda que lá trabalhava que ficava muito nervosa quando se chegava junto a mim para me servir por exemplo a sopa, pensei que na altura era minha imaginação, mas os meus colegas também repararam e começaram a gozar. Um dia uma colega dela disse que ela gostava de mim e deu-me o número de telemóvel dela. Nunca tive coragem para ligar, confesso que apesar de ser jeitosa, não ia muito com a cara dela e corriam boatos que se prostitua, definitivamente não era com ela que queria uma primeira relação e talvez perder a virgindade. Acho que foi a única vez que uma mulher entrou em contacto comigo para me conhecer, se acontecesse isto hoje seria diferente?

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Consulta, Palpitações, Primita...

Ventania lá fora... antigamente ouvia com prazer os sons da natureza... o barulho da chuva, o chilrear dos pássaros, o vento a soprar com violência, trovoada, gostava de ver os magníficos relâmpagos... tudo mudou desde uns tempos para cá, até esses sons provocam-me nervos!
Mais uma consulta no médico, os exames e análises não revelaram qualquer problema de saúde, mandou-me fazer mais, nem todas as dores que tenho são psicológicas, algum problema físico tenho. Não abri o jogo, mas falei-lhe de alguma ansiedade que tinha, sugeriu-me uns medicamentos naturais para dormir melhor e uma consulta com a psicóloga. Talvez siga o conselho, é preciso é coragem para dar o primeiro passo, não sei se sou capaz.
Nos últimos dias as constantes palpitações, provocam-me cabeça pesada e mau estar, esta é nova para mim, agora tenho medo que daqui para a frente seja "o pão de cada dia". Só de pensar nisso, fico doente, parece que tenho a capacidade de atracão. Obviamente prejudica as minhas tarefas de trabalho e lazer.
Uma prima, ainda criança (anda na escola primária), passou alguns dias em minha casa nas férias da Páscoa. Quando estava lá, não me largava, queria brincar comigo. Tive pena dela, devia apanhar cada seca, sozinha sem nada para se entreter, fez me recordar o meu passado. Antigamente era pior, não havia tablet ou canais de televisão sempre a dar bonecada. Para me entreter jogava dominó, cartas, jogos de tabuleiro, imaginava que jogava com amigos, lembro-me das vezes que ganhava à Sueca como o meu companheiro imaginário. Gostava muito de jogar cartas, havia momentos em que o pessoal na escola não fazia outra coisa nos recreios. É claro que adorava, pois era uma forma de convívio em que não tinha que falar muito e ao mesmo tempo conseguia participar. Tenho pena que não o tivesse feito mais vezes.
Saturado de andar nas compras fui esperar o meu familiar no carro, comecei a observar uma jovem bastante atraente que estava à frente de um balcão. Fiquei surpreendido ao verificar que todos os clientes que apareceram ficaram vários minutos à conversa com ela, parece que gostou pois soltou largos sorrisos. Quando foi a minha vez de ser atendido, apenas paguei e não falei nada com ela. Que será que falaram? Fiquei triste de não saber conversa fiada.
Conheci um cliente que invejei de imediato. Sempre a falar, na brincadeira, a dizer piadas e a contar os seus planos para a night e os seus engates. Senti-me tão pequeno quando o ouvi a falar, não faço parte do mesmo mundo. Convidou-me para tomar café com o meu colega, é claro que recusei com a desculpa do trabalho. Planeavam ou ir assistir a um concerto da Paula Fernandes ou uma prova nocturna de rallys, Só de pensar na confusão que seria, desde a viagem, procurar estacionamento, arranjar bilhetes, muita gente, fez-me imediatamente desistir de qualquer tipo de tentativa de ida... lar doce lar.
Para me motivar penso nas pessoas que são cegas, que não andam ou que têm outros graves problemas, não tenho justificação para estar triste, mas em vão.