terça-feira, 23 de maio de 2017

Como conhecer uma pessoa tímida? Casamento, Tarde de Folga

Como conhecer uma pessoa tímida? Devia saber, afinal sou uma! É impossível haver uma relação entre tímidos, se ambos são retraídos e não têm o poder de iniciativa, automaticamente está destinada ao fracasso. É pena, porque podíamos ter muitos sentimentos em comum, gostava tanto de lhe ler os pensamentos, o pessoal que me conhece deve dizer o mesmo.  Estar em grupo é muito complicado, ouvir histórias dos outros, ser incapaz de contar algumas pela minha inaptidão de diálogo.Não sei escolher as palavras certas, não me lembro delas, deixo de ter neurónios, quero chegar muito rápido à conclusão... entretanto os conversadores saem e o silêncio é constrangedor, tento juntar-me a outro grupo. Uma tagarela(inveja) enquanto falava tocou-me várias vezes, não sei qual o significado, provavelmente dever ser um tique, mas despertou-me desejo. Evito ao máximo estas situações de convívio, acho que acaba por ser normal, as pessoas fogem quando não estão à vontade. Fico preocupado com a impressão que deixei, não deve ter sido famosa. Vou ter saudades, já as sinto hoje. Fico saturado comigo mesmo, passo o dia a querer chegar a casa, apanhar o sol do final do dia, ir para a espreguiçadeira ler um livro, bater uma bola contra a parede, chatear o gato do vizinho, jogar Far Cry Primal, ver as noticias de deporto, o instagram onde sigo apenas figuras públicas (jogadores de futebol ou mulheres que me atraem como atletas ou atrizes), fóruns, youtube...as habituais actividades de lazer solitárias.
Carlos Albuquerque... tinha que inventar um nome, na altura do registo saiu-me este sem justificação plausível, o objetivo é esconder-me no anonimato, arrependo-me de ter escolhido um tão comprido. No entanto não acho justo enganar as pessoas, como vi num comentário a tratarem-me por Carlos.
Em breve vou a um casamento, não consegui ser eu a escolher a roupa, a minha mãe já tinha pensado no fato que ia comprar, como sempre para a não desiludir fiz-lhe a vontade. Tenho tanto medo desse convívio, ver primos que já não vejo aos anos, vão me perguntar como ainda não tenho ninguém, porque não estou inscrito nas redes sociais, vão achar que sou estranho.
Já estava a melhorar da minha dor da zona rectal, agora estou outra vez pior, é uma desilusão quando pensamos que estamos curados e de repente volta a dor.
Resolvi tirar uma tarde de folga, fui ao centro comercial, almocei uma pizza, cortei o cabelo, fiz uma massagem aromática(a massagista diz que eliminou algumas contracturas, mas continuo com as mesmas dores), comprei uma prenda para o meu afilhado, visitei lojas de roupa, fui ao cinema. Mas mais uma vez o sentimento de culpa e a tristeza não me largam durante o dia, estou desiludido comigo mesmo por não conseguir alterar o meu estado de espírito. Desligo-me facilmente da realidade presente, estou sempre alheado, dentro do meu mundo de ideias, por exemplo até a ver o filme em vez de estar concentrado na acção, estava a pensar em coisas que não tinham nada a ver, memórias que vou buscar sem qualquer contexto. Passei por uma vitrina, onde tinham expostos alguns panfletos de uma agência de viagens... como gostava de fazer uma viagem ao estrangeiro...
Se existisse o gênio da lâmpada e me aparecesse, sei bem qual o desejo que pedia, nada de dinheiro, saúde, apenas que me retirasse esta inabilidade.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Pai, Poder de Atração, Dor...

Quanto mais contacto tenho com o meu pai mais verifico o enrascado e atabalhoado que ele é. Parece que não pensa, bloqueia, atrapalha-se, é esquecido, na farmácia fiquei com vergonha, só me apetecia fugir. Pode ficar incontinente para o resto da vida, não sei se vai aguentar se tal acontecer, nem tive coragem de contar a conversa que tive com o enfermeiro. Observei-o desde o carro enquanto ia para casa, a cambalear devagar, apavorado, desengonçado, fico tão triste quando o vejo assim em baixo. Também me começa a atrapalhar a minha vida, por exemplo saio de casa a meio da noite para o ajudar. O tempo passa e percebo o porquê de ter assim esta personalidade, tenho todos os defeitos dos meus pais, não deviam ter gerado um filho ao mundo. No dia a seguir já começa a perceber melhor, parece que tem uma aprendizagem retardada, é como eu, ou seja no momento da acção é como se o cérebro hibernasse, a vergonha é tanta que não capta metade do que é dito. Tenho medo que o meu futuro se torne igual ao dele, mas eu não vou ter ninguém que me ajude...
O meu cérebro, coração e corpo está sedento por uma relação, qualquer rapariga que tenha um mínimo de contacto penso logo se está disponível, fico com vontade de a conhecer, mas não sei como falar com ela, como abordá-la, tenho medo que me ache patético. Invejo as pessoas que falam abertamente de todos os assuntos sem qualquer problema. Vivem o dia a dia, não poupam, totalmente o oposto de mim, fiquei admirado com as histórias de vida de uma mulher que já tem trisnetos.
Não ter conhecimentos é muito mau, principalmente quando não se sabe fazer nada.
Momento de masoquismo: Fui ver os mails, os sms's que troquei com a minha ex, uma temporada que por uma vez na vida senti-me mais normal. Momento Nostálgico: Ver fotos antigas e ter saudades daqueles tempos.
Fico tão chocado com certos temas que abordam, felizmente desconhecia muita coisa. Parece que tenho o poder de atracção, por exemplo se falarem em piolhos dá-me vontade de coçar a cabeça, se falarem em tosse, começo a tossir...por vezes a ignorância é mesmo uma bênção.
Estou preocupado com uma dor que tenho frequentemente na zona do recto, será que é problema da próstata? Dos Intestinos? Vou constantemente à casa de banho obrar e urinar, sempre atribui isso a aspectos psicológicos, quanto estou o dia todo fora de casa é uma loucura as vezes que preciso aliviar-me. Se for a um sitio desconhecido a primeira coisa que procuro são as casas de banho. Já falei com o médico, ele disse que provavelmente não era nada de especial, mas que para confirmar teria que fazer um exame, o problema é que são preciso duas pessoas e eu não sei a quem recorrer. Ainda vou contrair uma doença grave por ser assim, tão passivo.  Deixa-me tão abalado, sem vontade de fazer nada, apenas quero ter saúde, se já não posso ter outras coisas.
Financeiramente as coisas estão a correr melhor, tenho recebido alguns vencimentos em atraso, a minha família tem-me ajudado, por exemplo quando vou com a minha avó às compras ela paga-me a gasolina, somando isto tudo já tenho algum dinheiro à ordem, nem sei o que fazer com ele, investir em qual aplicação financeira? Tenho tanto medo depois do último fundo ter corrido tão mal. Devia comprar um carro novo, gostava de um melhor, mas para aquilo que ando sei que o meu é suficiente,  farto de ter que andar sempre atento às fugas de água e óleo.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Dias Intensos, Nova Formação, Prima, Pai

Estes últimos dias tem sido intensos... trabalho, uma nova formação, pós recuperação cirurgia pai, consultas mãe, obras em casa, estou sempre a mil à hora, stressado com saudades dos meus tempos calmos, como por exemplo ir para o quintal apanhar sol e ler um livro... chego a casa com a cabeça em água, nem consigo fazer as minhas atividades de lazer inúteis.
Estas formações deixam-me completamente de rastos psicologicamente. Muitas vezes quero intervir, mas não consigo devido à minha timidez, penso que é uma inutilidade e acabo por perder a coragem. Rezo que a formadora não me pergunte nada, pois devo bloquear e não me sai nada de jeito. Muitas vezes nem tenho opinião, não sei o que dizer, toda a gente a tem, devo ser caso único no mundo. Fico revoltado pois estas formações obrigatórias não tem muito interesse, nem sequer são importantes, ando a perder o meu tempo, ao menos que fosse algo mais adequado à minha formação académica, mas não tenho alternativa, tenho que a gramar, só quero que termine depressa. Às vezes desligo-me e voou nos pensamentos para outros assuntos, de qualquer maneira procuro sempre organizar-me e aprender o máximo que posso, detesto faltar, fico em desvantagem em relação aos outros formandos, mas desta vez vai ter que ser, espero que aceitem a justificação.  Os intervalos lembram-me o inicio do secundário, todos em volta, onde muitas vezes a falta de diálogo impera revelando a minha incapacidade de comunicar com os outros. Não gosto quando as pessoas sabem que sou daquela localidade e vêm com perguntas conheces a fulana x? Fico sempre embaraçado, nem sequer sei quem são as minhas vizinhas. Deste grupo não me identifiquei com ninguém, tirando uma mulher aparentemente também bastante calada. Gostava de tentar falar com ela, conhecê-la melhor, mas não sei como quebrar o gelo, vai ser impossível.
Recebi uma noticia, não sei se é má ou péssima. Provavelmente vou ter que trocar a moradia pelo apartamento mais cedo do que esperava, a chegada prematura de uns familiares assim o obrigam. Por mais que pense nas vantagens, vejo mais desvantagens... não devia ser assim.
Sou filho único, no entanto desde sempre morei com uma prima uns anos mais velha, é como se fosse uma irmã. Quando era pequeno andávamos sempre à porrada e depois fazíamos as pazes, era uma relação saudável, mas com o tempo deteriorou-se. Ela tinha os seus interesses e eu tinha os meus, não sabia o que falar com ela. Morávamos na mesma casa, mas eramos desconhecidos, ela enfiava-se no quarto e não saía de lá, até os horários das refeições eram incompatíveis, por exemplo jantava às 19:00 e eu às 21:00, apesar de morar juntos havia vários dias que não a via. Atualmente casada, continua a ir muitas vezes à minha casa, não me liga nenhuma, nem eu a ela, não estamos zangados, simplesmente a minha personalidade justifica mais uma relação que podia ser unida mas é estranha. Acho que devia ajudar mais a nossa avó, só pensa no bem estar dela e nos seus filhos, suponho que seja normal. É assim com vários membros da família, não consigo mudar.
Tenho procurado ajudar o meu pai o máximo que posso, visitá-lo sempre que possível, mas tenho a sensação que a família do lado dele acha que eu não lhe ligo nenhuma, o que é obviamente incorreto, não sei como mudar-lhes a opinião. É um facto que devia ter mais interesse nas terras dele que um dia podem ser minhas, mas o trabalho do campo não é para mim. Ele tem muita lenha, escusava de a comprar se soubesse usar um motosserra, teria que pagar a alguém para fazer o serviço, espero que essas decisões tenha que as tomar bastante mais tarde.
Tenho exames para fazer, mas na minha zona não são comparticipados pelo estado. Ou pago do meu bolso ou tenho que me deslocar a uma grande cidade e fazer 150km's para um sitio completamente desconhecido. Acho que vou optar pela primeira opção, obviamente o que um gajo normal optava pela 2º.
A bateria do carro da minha mãe morreu. Fui procurar na net como fazer as ligações para a voltar a metê-la a funcionar, segui todos os passos mas sem sucesso, é mais um exemplo da minha aselhice.
Olho para mim ao espelho, ou nas selfies, de vez em quando acho que tenho uma aparência agradável, melhor que muitos, olhos bonitos, definitivamente não é pelo aspeto físico que não tenho ninguém, outras vezes acho que tenho um ar drogado, olheiras gigantescas, uma cor de pele estranha, incapaz de alguém no seu perfeito juízo se interessar por mim.
A minha mãe agora está sempre a arrotar, tão alto que me incomoda bastante, não aguento o barulho, fico tão triste de a ver sofrer assim. Cada um tem a sua cruz, a minha é cada vez mais pesada, mas a culpa é minha, não faço nada para a tornar mais leve.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Pai, Anormalidades, Boleia, Observado, Miuda do Restaurante


O meu pai felizmente está melhor da depressão, aquele olhar assustador de tristeza já desapareceu, agora está novamente bem humorado e pronto para me chatear a cabeça com os discursos surreais que só ele sabe fazer. Foi submetido a uma cirurgia, tal como eu é mesmo enrascado, teve que ser a irmã a fazer a mala, ele nem sabia bem o que lá tinha dentro, não sei como consegue viver sozinho. Casou com uma segunda mulher, infelizmente faleceu devido a cancro. Tem duas irmãs, todas viúvas tal como ele. Tinha uma relação dentro do normal como a minha minha madrasta como em todas as minhas relações não me dava mal, mas também não dava muita confiança. Há uns anos queria-me juntar com uma das suas sobrinhas, é claro que a minha timidez fez com que não se desse qualquer oportunidade de conhecê-las profundamente. Não sei quanto tempo vai ficar internado, estou em pânico com as visitas e possíveis pessoas que posso ver, só mesmo eu para ter este tido de anormalidades.
Vou dar alguns exemplos das minhas anormalidades em relação às pessoas "normais": Música - Quando oiço uma musica que gosto, faço o download dela e não paro de a ouvir enquanto não a "enjoo". Na maioria das vezes como gosto só de uma parte da musica estou sempre a "rebobiná-la", isto centenas de vezes até me fartar.  Depois tenho o hábito de estar sempre a aumentar e a diminuir o volume, não sei porquê mas dá-me "pica", enquanto isso fantasio personagens que gostava de ser, principalmente ser um conhecido jogador de futebol. Livros: Sou capaz de demorar mais de 10 vezes que o normal a ler um livro. Estou sempre a fantasiar e imaginar a história, os cenários, os lugares, vivê-la na primeira pessoa. O mesmo se passa com jogos, séries ou filmes. Imagino uma amiga/namorada loira com cabelo comprido de olhos azuis com um corpo fenomenal, brincalhona, diariamente presente comigo.
Depois de uma visita ao hospital o meu pai pediu-me que desse boleia a umas vizinhas. Preocupei-me logo, o que vou falar durante aqueles 30 minutos de viagem?  Elas já com certa idade, a viver numa aldeia, nunca tiveram contacto com tecnologia. Quando era criança nas raras vezes que ia à aldeia onde morava o meu pai lembro-me de brincar com as filhas dela e sobrinho. Pareciam-me um bocado retardados, pois perderam vários anos na primária. Perguntei-lhe por eles pois já não os via à muito tempo... começou a falar e nunca mais se calou. Mais um caso de uma mulher em que é mal tratada por um homem, foge e depois volta para os braços dele... por vezes fico feliz por ser solitário, pelo menos não participo nestas confusões. Chegou a um ponto que desliguei, deixei de acompanhar o que dizia, mergulhado nos meus pensamentos, é um hábito que tenho que deixar de lado. O facto é que geraram uma família, vivem como é suposto, ao contrário de mim.
Sinto muitas vezes que estou a ser observado, será que nos prédios tem uma boa visão para o meu quintal? É possível que me estejam a observar e a gozar comigo depois de me verem, a minha privacidade está em risco depois da minha vizinha ter cortado as laranjeiras que resguardavam o quintal e de terem aberto um caminho lá atrás. Ainda ontem corri dez minutos às voltas no meu quintal, ridículo se alguém me viu.
Sinto que não faço parte de nada, vivo a vida como um Voyeur, aquele que vê e não participa.
Lembro-me de uma oportunidade única que tive de ter algo com uma mulher em que desperdicei-a. Tinha uns 20 anos, no restaurante onde almoçávamos diariamente havia uma miúda que lá trabalhava que ficava muito nervosa quando se chegava junto a mim para me servir por exemplo a sopa, pensei que na altura era minha imaginação, mas os meus colegas também repararam e começaram a gozar. Um dia uma colega dela disse que ela gostava de mim e deu-me o número de telemóvel dela. Nunca tive coragem para ligar, confesso que apesar de ser jeitosa, não ia muito com a cara dela e corriam boatos que se prostitua, definitivamente não era com ela que queria uma primeira relação e talvez perder a virgindade. Acho que foi a única vez que uma mulher entrou em contacto comigo para me conhecer, se acontecesse isto hoje seria diferente?

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Consulta, Palpitações, Primita...

Ventania lá fora... antigamente ouvia com prazer os sons da natureza... o barulho da chuva, o chilrear dos pássaros, o vento a soprar com violência, trovoada, gostava de ver os magníficos relâmpagos... tudo mudou desde uns tempos para cá, até esses sons provocam-me nervos!
Mais uma consulta no médico, os exames e análises não revelaram qualquer problema de saúde, mandou-me fazer mais, nem todas as dores que tenho são psicológicas, algum problema físico tenho. Não abri o jogo, mas falei-lhe de alguma ansiedade que tinha, sugeriu-me uns medicamentos naturais para dormir melhor e uma consulta com a psicóloga. Talvez siga o conselho, é preciso é coragem para dar o primeiro passo, não sei se sou capaz.
Nos últimos dias as constantes palpitações, provocam-me cabeça pesada e mau estar, esta é nova para mim, agora tenho medo que daqui para a frente seja "o pão de cada dia". Só de pensar nisso, fico doente, parece que tenho a capacidade de atracão. Obviamente prejudica as minhas tarefas de trabalho e lazer.
Uma prima, ainda criança (anda na escola primária), passou alguns dias em minha casa nas férias da Páscoa. Quando estava lá, não me largava, queria brincar comigo. Tive pena dela, devia apanhar cada seca, sozinha sem nada para se entreter, fez me recordar o meu passado. Antigamente era pior, não havia tablet ou canais de televisão sempre a dar bonecada. Para me entreter jogava dominó, cartas, jogos de tabuleiro, imaginava que jogava com amigos, lembro-me das vezes que ganhava à Sueca como o meu companheiro imaginário. Gostava muito de jogar cartas, havia momentos em que o pessoal na escola não fazia outra coisa nos recreios. É claro que adorava, pois era uma forma de convívio em que não tinha que falar muito e ao mesmo tempo conseguia participar. Tenho pena que não o tivesse feito mais vezes.
Saturado de andar nas compras fui esperar o meu familiar no carro, comecei a observar uma jovem bastante atraente que estava à frente de um balcão. Fiquei surpreendido ao verificar que todos os clientes que apareceram ficaram vários minutos à conversa com ela, parece que gostou pois soltou largos sorrisos. Quando foi a minha vez de ser atendido, apenas paguei e não falei nada com ela. Que será que falaram? Fiquei triste de não saber conversa fiada.
Conheci um cliente que invejei de imediato. Sempre a falar, na brincadeira, a dizer piadas e a contar os seus planos para a night e os seus engates. Senti-me tão pequeno quando o ouvi a falar, não faço parte do mesmo mundo. Convidou-me para tomar café com o meu colega, é claro que recusei com a desculpa do trabalho. Planeavam ou ir assistir a um concerto da Paula Fernandes ou uma prova nocturna de rallys, Só de pensar na confusão que seria, desde a viagem, procurar estacionamento, arranjar bilhetes, muita gente, fez-me imediatamente desistir de qualquer tipo de tentativa de ida... lar doce lar.
Para me motivar penso nas pessoas que são cegas, que não andam ou que têm outros graves problemas, não tenho justificação para estar triste, mas em vão.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Como Relaxar?, + Compulsões, Conflitos Forum, Dia Diferente

Ando a visitar alguns foruns relacionados com depressão, ansiedade, etc. Leio relatos impressionantes, muito mais dolorosos que o meu. Vivo num "paraíso" comparado com alguns, não devia viver com este stress. Por exemplo no domingo levantei-me perto do meio dia, limpei rapidamente o quarto e fui almoçar(sorte que ainda tenho alguém que faço o almoço por mim), de tarde fui para o quintal, deitei-me na espreguiçadeira e apanhei sol, para passar o tempo escrevi num caderno uma cena sem qualquer utilidade, fui buscar o portatil e vi um jogo de futebol, brinquei como o cão que uns familiares me deixam para cuidar quando vão passar o fim-de-semana fora da localidade... até nestes pormenores sou ansioso, nunca mais chegava a hora para lhe dar comer, ver a felicidade dele quando visse o patê que lhe comprei no dia anterior. Vi futebol até à hora de jantar , depois vi um filme e tentei adormecer, um dia supostamente relaxante mas eu com a cabeça a mil, quase fiz directa nessa noite. Viver em vilas pequenas tem as suas vantagens... no dia a seguir vou para o trabalho, pouco transito, fácil estacionamento, penso naqueles que vão trabalhar e têm que atravessar longas filas de transito e depois encontram dificuldade em arranjar estacionamento, como conseguem combater o stress? Acho que não conseguiria viver assim! Como relaxar?  Quem me conhece pensa que sou uma pessoa extremamente calma, faço tudo para manter essa aparência, o que me prejudica, pois não consigo deitar para fora os meus sentimentos.
Mais umas compulsões estúpidas que tenho: aos domingos, dia que normalmente não saio de casa, proíbo-me de ir à garagem ver o meu carro. Às vezes preciso de lá ir mas espero pelo dia a seguir, é mais forte do que eu. De sábado para domingo tenho que deixar o telemóvel desligado. Porque o faço? Não faço a mínima ideia! Esta é pior: Não aprendo certas tarefas domésticas por ter medo que se conseguir a independência me castiguem com a morte dos meus familiares.
É habitual frequentar foruns, principalmente de futebol. É uma das poucas formas de convívio que uso, mas até aqui tenho dificuldades em me relacionar. Tenho muita relutância em responder a algumas discordâncias de opinião, não consigo defender a minha posição, se não replicar fico chateado, se o fizer fico sempre a aguardar a resposta e acabo por dar razão aos outros. Em ambas as situações fico revoltado, a raiva dentro de mim cresce sem qualquer motivo de força maior. Se sou assim, num sitio onde posso escrever à vontade sem ter que olhar para a outra pessoa imaginem  na vida real! Comporto-me como se ainda fosse um adolescente de 15 anos. Mais uma vez, evitar os conflitos faz com que não evolua, tenho consciência disso.
Vem aí a Páscoa, mais uma despesa com o folar dos afilhados, mas é engraçado que aqui não tenho aquele sentimento de culpa por gastar dinheiro, estou a pensar melhorar o meu calçado, principalmente umas sapatilhas mais leves, runing talvez, não devia ir ao mais barato, pois sei bem o que os meus pés sofrem.
Mais um problema com a minha mãe, a perna inchou provocado por uma trombose. Agora tem que tomar injecções, não tenho coragem para lhe dar, tem que ser a minha avó. Mais uma vez não soube o que falar com o médico, bloqueei, queria falar com um primo, mas aconteceu o mesmo, provoca-me frustração a minha incapacidade de saber dialogar. Tenho um assunto que queria conversar com um tio, mas sei que não vou ser capaz. Quando estou em casa sou incapaz de abrir a porta a quem toca a campainha, fico mesmo aterrorizado com medo de ser alguém do passado, ou atender um telefone por causa dessa incapacidade de falar provocada pela timidez excessiva.
Tive um dia diferente, fugir à rotina soube bem. Passei o dia na cidade, de manhã fui fazer um ECG e à tarde uns exames. Pensei que demorava mais tempo no cardiologista, quando saí de lá ainda faltavam cerca de 5 horas para o horário dos exames, o que fazer até lá? Decidi caminhar pelo centro da cidade, ir a sítios que não ia à muito tempo, alguns mesmo que me eram desconhecidos, fui a um restaurante que nunca tinha ouvido falar. Andei tanto, a app de saúde que tenho instalado no smartphone deu-me os parabéns de ter completado 11 mil passos, lol! Fui ao centro comercial... não tenho mesmo paciência para fazer tempo em lojas de roupa ou outros artigos, muitas delas nem consegui entrar, o facto do lojista me observar faz com que tivesse medo que lê-se os meus pensamento, é como soubesse que não ia comprar nada, só lá estava para ver. Já farto de andar, com as pernas a doer por não estarem habituadas, fez com que parasse num café onde aguardei algum tempo. Não me senti bem por lá estar muito tempo, mas qual é o mal? Estas coisas é que não entendo!  Começaram os pensamentos do género: será que estacionei bem o carro? Deixei-o trancado? Será que vou ser multado? Pior, rebocado? Durante os exames aconteceu-me uma situação caricata. Um dos exames que fiz foi à bexiga, a assistente da médica disse para desapertar as calças e me deitar. Ela puxou as calças e boxer's para baixo com tanta força que fez com que o meu pénis saltasse fora. Ela pediu desculpa e imediatamente foi-se embora. Quando cheguei a casa não consegui deixar de pensar nessa situação, excitou-me e tive que me masturbar, sou mesmo pervertido... sempre foi uma das minhas fantasias, o "CFNM". Esse exame foi totalmente desnecessário, sei bem que a vontade de urinar várias vezes por dia, se deve à ansiedade e nervosismo. O exame que preciso não o fiz.

sexta-feira, 24 de março de 2017

4 Anos Blogue, Compulsões, Pai, Oomoplata, Sonhos Sem Sentido

Já lá vão 4 anos de blogue, não pensei que o mantivesse tanto tempo. É uma boa forma de desabafar em qualquer sitio quando estou deprimido. Já é raro escrever nos meus cadernos, como fazia antigamente. Permanecem trancados nos meus 2 cofres, que comprei propositadamente para esse efeito. A minha família pensa que os tenho  por causa do dinheiro que guardo. Já pensei os queimar, estão lá muitos segredos que não quero que sejam expostos, se bem que a minha letra é tão má que não iam perceber mais de metade. Gosto de manter a minha privacidade, como solitário que sou, no entanto nos meus dossiers tenho impresso muitos documentos importantes, tenho medo que alguém vá lá cuscar, principalmente os meus tios quando lá passam férias. Pensei comprar um armário com chave, mas parece-me uma despesa sem sentido e faria com que suspeitassem que ando a esconder algo.
No outro dia quis fazer uma limpeza em casa, mas não consegui livrar de coisas que não me fazem falta, até no disco rígido do meu pc tenho dificuldade em eliminar arquivos que sei que nunca vou usar. Tenho que me livrar desta compulsão! Já me libertei de uma: Antes de dormir tinha a necessidade de repetir uma expressão (tão ridícula que era que nem tenho coragem de escrever), senão o fizesse não dormia bem de noite e ficava a remoer-me a mente.
No dia do pai fui almoçar com o meu , preferia ter ficado em casa, mas como ele anda muito em baixo lá fiz o esforço e convidei-o para ir almoçar num restaurante. Nem o reconheço, normalmente é uma pessoa com discurso optimista, sempre a rir-se, agora é pessimista, até a foto que tirámos demonstra tristeza na sua cara. Ofereceram-lhe um cheque cirurgia para ser operado noutro hospital, visto já ter passado o tempo de espera. No mesmo dia em que recebeu a carta veio ter comigo à espera que lhe dissesse qual a opção certa a tomar, queria que decidisse por ele (é mesmo parecido comigo). Não queria ser eu o responsável, tive receio que não conseguisse corresponder... ir para um sitio mais longe, desconhecido assustou-me, a minha falta de confiança venceu novamente, sou um péssimo filho. Combinámos na semana a seguir ir ao hospital saber mais pormenores, ou tentar falar com o médico para ver se o operava mais cedo, mas não aguentou a espera, no dia a seguir foi lá sozinho e cancelou...
As minhas dores no omoplata estão a aumentar, tenho medo que por causa da minha burrice não tenha feito bem o tratamento e assim não recuperei :(. Segui as instruções à letra, mas a farmacêutica diz uma coisa o médico diz outra, cada vez percebo menos. Não consigo carregar pesos, está a afectar-me bastante em todas as tarefas, até aqui no pc a escrever, só estou bem com o braço completamente para baixo. Se tiver que ser operado não tenho ninguém que me acompanhe, é um dos efeitos secundários de não ter amigos. O facto é que questões físicas afectam bastante o psicológico.
O sentimento de culpa permanente não me larga, por não fazer uma tarefa bem feita no trabalho, penso logo que me vão mandar embora. No outro dia passei mais um atestado da minha burrice, nem uma simples coisa consegui fazer, tive que pedir ajuda a um colega, fiquei tão embaraçado e a pensar nessa situação durante vário tempo.
Ando a ter muito sonhos sem sentido nenhum. Sonhei com uma ex colega que já não falo desde os tempos do secundário, mas que ultimamente tenho-a visto duas ou três vezes quando passo de carro. Só por esse simples facto foi relevante para que entrasse nos meus pensamentos e se tornasse personagem principal de um sonho. Realizou a festa de aniversário em minha casa, tal como na vida real fiquei com medo de ir esse convívio. A festa realizava-se no 1º andar, eu estava no 2º andar apavorado... acabei por descer. Na festa estavam personagens que não tinham relações entre elas, desde as colegas da minha primita que só as vi umas 2 vezes, uma mulher que trabalha numa instituição pública (wtf, como é que o meu cérebro foi buscar essa personagem?),  tios, o cão dos meus primos enjaulado no galinheiro com a minha avó, etc. No entanto o objectivo era encontrar a personagem principal, depois da procurar não a vi em lado nenhum. Até que apareceu no quintal com altos óculos de sol, tal como a vi na vida real.  O que mais me intriga é que ultimamente tenho tido alguns sonhos em que os recordo com facilidade, normalmente esqueço-me deles rapidamente.  Outro sonho habitual é participar em jogos ou filmes que vejo. Não sei se chore ou se ria.