sábado, 14 de setembro de 2019

Namorada Arranjada;Nudismo; Antidepressivos

Mais um aniversário, estou a ficar velho...
O meu pai disse que conversou com um homem que queria saber tudo sobre mim. Se era solteiro, se tinha casa, emprego, etc. Veio-me contar e suspeitava que tivesse feito esse interrogatório por causa de uma mulher que se encontra solteira sendo ela da minha idade. Meteu a carroça à frente dos bois, falou logo em filhos, conversas embaraçosas, tipo se o meu pénis funcionava, que a mãe dela estava desesperada por netos, um casamento arranjado, lol . Perguntou-me se podia dar o meu número. Por mim tudo bem, duvidando alguma vez que ela me ligue mas entrei logo em pânico. O meu mundo de solidão estava em perigo e determinadas atividades de lazer não podem ser feitas acompanhadas.  Depois como seria conversar com os pais e restantes familiares? Quando soubessem do meu curto salário? Não lhe poderia dar uma boa vida. E os amigos? Ela deve ter redes sociais, amizades e eu sou um 0. Mas se surgir oportunidade tenho que ser sincero e dizer o que sou, que a deve afastar imediatamente. Ou será uma pessoa como eu, envergonhada que esteja à espera de alguém como ela(vai sonhando)? Sou uma pessoa sem qualquer capacidade, nunca iria ter competência para gerar e criar uma família? Porque não tenho confiança em mim? Porque não mudo de atitude e começo-me a portar como homem e deixar o meu mundo de fantasia de vez? Coloco estas perguntas demasiadas vezes a mim mesmo às quais não sei responder.
Passado 3 anos voltei a ir à praia. Aproveitei um dia de bom tempo em inicio de Setembro, uma fase  menos concorrida em que o período de férias já terminou para a maioria do pessoal. Fui visitar uma praia que nunca tinha ido. De manhã, andei por lá de um lado para o outro para conhecer o local. Procurei um restaurante para almoçar, estava a ver a minha localização no maps google, foi então que reparei que havia uma praia de naturistas perto. Fiquei curioso e decidi ir a pé, uma caminhada agradável pela costa que durou alguns km's. Esqueci-me de comprar água e naquele sitio não havia bares, fiquei totalmente desidratado e claro a dor de cabeça começou mas resolvi logo tomar medicação, não ia cometer o mesmo erro de Lisboa. Praias praticamente desertas, uma paraíso para quem não gosta de confusão. Cheguei ao local, pouca gente, maioria homens com os seus enormes pénis, sempre tive trauma de o ter pequeno. Encontrei um local onde não estava ninguém e resolvi tirar os calções, fazendo nudismo, ir à água todo nu, sentir liberdade. Esqueci-me rapidamente da vergonha e nem liguei  aos pequenos grupos de mulheres/homens que passavam (uns 5 ou 6 no máximo), fiquei espantado comigo mesmo.
Comecei a tomar os antidepressivos, até agora não senti grandes diferenças, confesso que esperava maior melhoria de humor. Nem sei o que diga ao médico. Um dos efeitos secundários que me provocou foi retardar a ejaculação. Aproveitei esse facto para ir novamente ter com a gaja da última vez. Mais tranquilo, sabia onde era o local, como era ela, já me conhecia. Desta vez consegui prolongar um bocado mais, em vez dos habituais 30 segundos. O meu pénis perdeu muita sensibilidade, o prazer é pouco, aliás desde que fiz a circuncisão que está assim e piorando com o tempo, pensei que melhorasse mas funcionou ao contrário. Não sei se o farei mais vezes.
O trabalho está um caos como esperado, tudo acumulado, ninguém o faz por mim, até hoje ainda não recuperei o tempo perdido, faz me questionar se vale a pena tirar 1 semana novamente. O meu colega não me respeita, ganha o dobro que eu e não faz metade, não me sinto motivado. Se tivesse coragem para pedir um aumento provavelmente era bem sucedido.
Para o ano queria tirar uma semana e ir para longe, "subir o nível de dificuldade", ir para um alojamento perto do oceano. Mas é complicado, agendar é um problema...e se estiver mau tempo? Não aproveitaria nada! Tantos problemas que a minha mente coloca.

domingo, 11 de agosto de 2019

Acabaram-se as Férias

Consulta com o médico: Queixei-me da dor da anca, mandou-me repetir os exames que já fiz e que não detetaram nada, enfim não vejo solução. Lá arranjei coragem e disse-lhe que andava deprimido, angustiado, ansioso por causa da doença e depois morte da minha mãe. Não lhe revelei o real motivo, mesmo antes desses episódios já estava neste estado de humor depressivo. Receitou-me um antidepressivo, estou em pulgas para saber se realmente melhora o meu humor, no entanto ainda nem sequer comecei a tomá-lo...
Sempre estive uma semana de férias. Planeava ir à praia, mas não se concretizou por causa do tempo demasiado frio (aposto que para a semana está calor). Tinha que pensar em fazer programas diferentes. Num dia fui dar uma passeio de mota, ver a volta a Portugal em bicicleta pela primeira vez na vida. Fui até a uma subida, procurei um lugar solitário onde pude vê-los passar tranquilamente. Estava com medo que as camaras de televisão me apanhassem, fiquei aliviado quando reparei que nessa altura não estavam a filmar a etapa. Fui visitar o meu pai e apanhei outra vez o percurso da volta, desta vez muita gente a assistir naquele cruzamento e por azar encontrei um primo. Cumprimentei-o e ficámos por aqui, não falei mais com ele, sabe que não tenho qualquer jeito para interagir. Quando cheguei a casa do meu pai vi que não estava, andei lá a passear e a ver os terrenos. Um dia aquilo vai ser meu e só vejo preocupações, às vezes penso que fez um testamento para não ser o seu herdeiro.
No dia a seguir fiz um programa que já pretendia fazer a algum tempo(até falei no blog em 2016), viajei de comboio até Lisboa. Já não ia à capital à mais de 15 anos. Era quase meia noite quando comprei os bilhetes online para o dia a seguir. Tive que me levantar cedo, deixei o carro estacionado ao pé da estação. Começou com o pé esquerdo, pessoas conhecidas que curiosamente ficaram juntamente a mim, mesmo azar. Uma dessas pessoas saiu cedo, fiquei aliviado. Depois outro inconveniente, é que o lugar que escolhi foi em direção contrária ao sentido do comboio, não tive atenção a esse aspeto, o que me provocou uma má disposição. Chegado a Lisboa, o primeira impacto foi péssimo, senti-me como uma criança perdida, não sabia que direção tomar. Felizmente essa sensação passou rapidamente quando comecei a descer os degraus. Fui a um centro comercial, almocei por lá. Na escolha surgiu uma situação caricata, tinha que optar entre dois acompanhamentos de três, na altura bloquei e não percebi o que a empregada queria, provocando um mau entendido como tantas vezes acontece. De seguida fui passear, a ideia era apanhar o metro e tentar conhecer o máximo possível. Acabei por ficar pelo parque das nações, ir de um lado para o outro, dei uma volta de teleférico, visitei a marina, o oceanário, só lá devo ter estado quase 3 horas a maravilhar as espécies aquáticas. Lanchei num tasco com muito mau aspecto, arrependi-me logo mal entrei, quando apresentaram a conta até fiquei a suar, cobraram-me 8€ por uma torrada e um sumol! A maioria das pessoas eram estrangeiras, viajam para conhecer Portugal, é claro que ver famílias e eu sozinho fez-me pensar. Um dia devia visitar outros países com a minha mulher e filhos, era esse tipo de coisas que gostava de realizar na vida que nunca vai acontecer e me deixa frustrado. Mais uma vez certos problemas que tenho que me provocam dúvidas se voltarei a fazer programas deste género: 1º A vontade permanente de ir à casa-de-banho, não só para fazer xixi, como também cocó, deve ser dos nervos que me provoca essa reação no meu organismo. Tenho que andar sempre à procura de casas-de-banho e se forem muito movimentadas é um pesadelo para mim usá-las. 2º As constantes dores-de-cabeça. Deu-me uma forte dor de cabeça a meio do dia que me estragou o resto. Fui apanhar o comboio de regresso, com dúvidas se o perdia, fui até à linha como as informações indicavam, mas encontrei outro comboio para um destino diferente, fiquei logo em pânico. Tentei acalmar-me, era só um atraso. Voltei a sentar-me no lugar ao contrário, a doer-me tanto a cabeça, fiquei logo enjoado, foram horas passadas num sofrimento atroz. A minha avó a ligar a dizer que estava preocupada, não lhe fui capaz de dizer ao certo o que ia fazer, sinto-me "preso". Chegado ao carro, usei as escovas completamente sujas o que provocou visibilidade reduzida, vi-me à rasca para chegar a casa. Só eu! Esta dor de cabeça durou mais de 2 dias a passar, é terrível viver assim.
Noutro dia fui à capital do distrito. Ir ao cinema, ver um concerto, ter sexo com uma mulher. Vi o feedback positivo de um utilizador de um forum e resolvi combinar com ela. Mais uma vez a bexiga não me largava, sempre com vontade de ir ao WC. Encontrei rapidamente o apartamento dela, entrei e reparei numa bela morenaça, bem melhor que as outras mulheres com quem tinha estado anteriormente. Pedi-lhe para ir à casa-de-banho, estava com vontade urinar, mas não me saiu nada, só passado um tempo, ela deve ter logo pensado boas coisas. Despimos-nos, a seguir fiz-lhe sexo oral, ela tinha um espelho onde se via toda a acção. Sabia que não ia durar muito pedi logo que fossemos para o vaginal, mais uma vez ejaculei demasiado rápido sem ainda ter atingido a erecção completa. Mal falámos, fui rapidamente embora, deve ter sido o pior homem com quem esteve.
Entrei em paranoia quando entrei num cruzamento, bloqueei e não percebi quem tinha prioridade, é por causa destas coisas que não posso ir muito longe. Fui ao cinema, jantei num restaurante onde pedi um prato que custava 10€ e cobraram 16€, mais uma vez não conseguir reclamar. De seguida fui ao concerto e fui embora, deve ter sido das poucas vezes que cheguei a casa depois da meia-noite, preocupado pela preocupação da minha avó. No dia a seguir doía-me o pescoço e pernas por falta de hábito.
Passei a semana sem ver filmes, ler um livro de fantasia, estar na espreguiçadeira, jogar... coisas positivas. Pelo lado negativo não dei continuidade a assuntos mais sérios, nem ao apartamento fui.
Todos os dias uteis o meu colega ligava-me 3 ou 4 vezes por vezes sobre assuntos que bastava perder um bocado de tempo para resolvê-los, estou mesmo farto dele ser tão chato, apetecia-me ralhar. É claro que um dia tive que ir ao trabalho, espero que tenha desconfiado que não estava contente com ele, às vezes nem lhe respondia ou falava áspero, uma atitude hostil da minha parte, reprimia ao máximo uma explosão. Pensei lá passar 1 hora e afinal foram 6 horas. Não passam uma semana sem mim, nem sei se é positivo ou negativo. Quando lá chegar vou ter o trabalho todo atrasado, ninguém o faz por mim. Só de pensar o stress que vai ser deixa-me logo com um aperto no coração.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Balanço Estadia Tios; Pensamento Positivo; Vizinha; Férias?

Os meus tios estiveram cá durante três semanas.A casa ganhou uma nova vida, eles, os netos, de 2 pessoas a habitar passou para 8. A minha tia não parava de trabalhar, por vezes eram 5 horas da manhã e já estava a lavar e passar a roupa. O meu tio andava de um lado para o outro, sempre a fazer retoques na casa, desde polir o corrimão até tirar o musgo das árvores com a máquina de pressão, coisas que jamais pensaria fazer. Eu parado a olhar e a pensar de onde vem aquela força de vontade? Ou melhor porque não tenho esta força que todos os outros têm?  A arrumação do quarto da minha mãe foram eles que trataram. Desmontaram a cama, deram as roupas que quiseram sem minha consulta, fiquei triste comigo mesmo por o ter permitido, não consegui mais uma vez. Este ano nem me chateou muito com as suas bocas habituais, fiquei chocado quando insinuou que andávamos a gastar dinheiro, falou no plural, o problema era da minha mãe, não meu, fiquei calado a ouvir e a explodir por dentro.Sensação de sempre, fiquei preso dentro na minha própria casa, coisas que não podia fazer como ouvir musica em tom alto ou ligar o desktop. Saíram e agora ficou um vazio que com o tempo uma pessoa se habitua. Estão quase de regresso de vez, devia estar feliz não com medo. Fiquei abismado com as centenas de fotografias que a minha mãe tinha escondido numas caixas. Qual a razão de as ter revelado todas? Ela sabia que não gostava que fosse exposto, iria certamente lhe dar na cabeça se descobrisse enquanto estava viva. Tenho ido várias vezes ao apartamento abrir as janelas para arejar e tirar o cheiro do mofo, ainda está cheio de tralha dos meus primos que moravam lá. Algum dia serei capaz ou vou deixar novamente decidirem por mim?
Porque não tenho coragem de vender os artigos na net? Até podia procurar lojas que aceitassem artigos em segunda mão. Mais uma vez a timidez a foder-me.
Comecei a ler um livro sobre pensamento positivo, encontrei-o no quarto da minha mãe, pergunto-me se ela alguma vez o lera, desconfio que não tinha capacidade intelectual para o perceber, isso deixa-me com um sentimento de pena. Uma pessoa quer melhorar mas não consegue por causa das suas limitações inerentes à sua personalidade, reconheço-me tanto. Leio duas ou três páginas, em vez de me ajudar só me faz piorar, sei que devia seguir tudo o que li, mas não consigo tirar este pensamento negativo.
De vez em quando um tipo chateia-me para fazer um part time. Já são por três vezes que o fiz, trabalhei até tarde. É uma sensação estranha, por um lado queria ganhar dinheiro, por outro não me apetece ter outro trabalho. Não sei o valor justo a pagar pelo meu trabalho, ainda não recebi nenhum.
Numa ida ao contentor do lixo vi que mora perto de mim uma jovem jeitosa. De onde saiu? Será que já lá está a morar à muito tempo? Nem boa tarde, pareceu-me antipática, ela deve ter pensado o mesmo de mim. Troquei breve olhares, o insuficiente para memorizar a cara. Numa ida às compras, via-a com um pessoa idosa, talvez avó, na mesma situação que eu, também estava com a minha. Ás escondidas espreitava-a para ver se me notava. Não tinha a certeza que era ela, mas confirmei pois o carro que estava estacionado no parque coincide com um dos que costuma estar perto da casa dela. Fiquei obcecado, não me sai da cabeça quero-a conhecer, estou a dar em maluco. Porque sou assim, não consigo reprimir estes sentimentos negativos.
Nem queiram imaginar a pesquisa compulsiva que ultimamente faço sobre noticias da possível saída de Bruno Fernandes do Sporting, só um aparte lol
Resolvi agendar uma semana de férias. Nos últimos anos os dias de férias eram gastos na ida aos tratamentos com a minha mãe. Desde 2002 que trabalho, contam-se pelos dedos as semanas que tirei. Gostava de ir novamente à praia, não sei se o tempo o vai permitir. Se é para ficar em casa a deprimir então mais vale trabalhar, se calhar ainda vou cancelar. Que programas fazer? Os mesmo de sempre? Não tenho ideias. Existem tarefas que só eu as sei fazer, vão me chatear. Invejo os meus familiares de férias que ninguém os chateia do trabalho. Vejo os meus colegas a serem aumentados e eu na mesma, também não faço para isso, cometo demasiado erros, frustração profissional.
Esta semana marquei uma consulta com o médico de família, quero lhe falar deste meu problema da depressão, mas não sei se vou ter coragem...

sábado, 22 de junho de 2019

Conversa Séria que tenho que ter mas que sei que não vai acontecer

Preciso ter uma conversa séria com eles quando chegarem de férias. Definir a minha vida, não deixar que eles interfiram nos meus planos e quem me dera que me ajudassem, pois sou tão incompetente. Esta é a hora exata, não devo adiar mais. Perguntar-lhes diretamente quando vêm de vez, o que acham da minha situação, se preferem que viva sozinho(eles devem achar que não tenho capacidade), o que vai ser da avó, etc. Dizer o que pretendo, mas tenho medo que leve a mal, que queira as coisas à maneira dele, provavelmente já estão delineadas na sua cabeça, e sei que sou incapaz de lhe responder pois tenho medo de gerar conflitos. Pintar o quarto da cor que quero, mudar os alumínios e chão, montar os moveis à minha maneira, saber se posso deitar fora as coisas do meu primo. O meu primo é boa pessoa, mas não consigo estar à vontade com ele e falar abertamente. Queria que quando chegasse já tivesse trabalho feito, às vez até começo a ter vontade de fazer, mas rapidamente desaparece e provoca-me um sentimento de ilegalidade.
Já tirei da ideia de um dia puder gerar família, nem me desenrasco sozinho. Olhei lá para baixo e vi chegar a vizinha, com um bebé, não esperava que fosse tão gira. Observei-a, seguro que não me via lá de baixo, mas puro engano olhou para cima e viu-me a olhar fixamente para ela, não desviei o olhar, deve pensar que tipo "esquisito" e dou-lhe razão, não me comporto mesmo como uma pessoa normal. Sempre a criar boas primeiras impressões, lol.
O meu joelho esquerdo está-me a falhar quando tento fazer algum trabalho "pesado". Queria mudar algumas coisas sozinho, mas não consigo. Quando a mente é fraca, o corpo vai atrás.
Continuo a fazer a lista do inventário, provavelmente nunca chegarei a colocar os artigos online. Fico lixado por perder muito tempo com este assunto. Ás vezes apetece-me só desfazer simplesmente de tudo. Chamar alguém ou alguma instituição e que levem tudo, mas isso seria mais uma derrota.
Levei a minha avó a ver a festa de final do ano letivo, no final ficaram a conversar e eu a lamentar a minha incapacidade de interagir, ver novos e graúdos a conviverem e eu especado à espera, só queria ir embora dali, para a minha companhia de sempre, a solidão. Entrar no mundo fantasioso de personagens criadas pela mente, sei que erradamente provocando-me angústia. S. João, toda a gente sai à rua para comemorar, folia que para mim é um pesadelo. O meu colega lá vai nas marchas, levando os filhos, quer habituá-los desde pequenos, não vá ficarem como eu.
Na empresa o trabalho está a aumentar, é hora ideal de pedir um aumento de ordenado, ganho o salário mínimo e já trabalho com o meu patrão desde 2002, qualquer outra pessoa já se tinha ido embora, só eu com esta personalidade. 17 anos e continuo a ter medo de falar com ele, incrível.

domingo, 9 de junho de 2019

Centro Comercial, Burocracias

Para fugir à rotina, fui até à cidade ao mesmo centro comercial de sempre: almocei, cortei o cabelo, fiz uma massagem, fui ao cinema. Pensei que me fizesse bem fugir da rotina, mas puro engano. Meia hora de viagem, estacionei o carro no parque subterrâneo, fui de elevador até o andar superior onde se encontram os restaurantes. Procurei um para almoçar, fui para a fila, vejo um mulher gira sozinha atrás de mim. Pensei o que ela estaria a fazer no fim-de-semana sem companhia? Porque não arrisquei a perguntar se queria almoçar comigo? O que perdia se dissesse que não? Não era uma abordagem apropriada, acho sempre isso em todas as situações! Sentei-me, olhei em redor a mirar o ambiente como habitualmente faço. Vi um casal jovem, o tipo devia estar no engate e a rapariga com cara sorridente, sinal que estava a correr bem. Do outro lado estava uma jovem bonita, com um homem mais velho, seria pai? Atrás de mim ela... sozinha. Ansiedade aumentou, só queria sair dali rapidamente, quando ainda tinha muito tempo até à hora de marcação do corte de cabelo. Fiz a massagem, com uma bela terapeuta, mais uma vez praticamente não falámos. Ainda algum tempo para a hora do filme, andei de loja em loja, mas matar o tempo nesses sítios comigo não funciona e a angustia aumentou. Fui ver o filme, um grupo de crianças foi assistir, lembrei-me dos tempos da escola. Nunca tive possibilidade de ir ao cinema, só quando adulto é que comecei a lá ir com alguma regularidade. Final do filme, fui comprar uma pizza para levá-la para o jantar. No final fiquei de rastos, a viagem foi penosa a pensar no quanto patético sou. Não sei interagir com ninguém, isso dificulta-me tanto a vida. Não tenho amigos, mulher, sítios para ir... penso e volto a pensar, massacro-me. Porque me castigo a mim próprio?
Neste momento não ando a acompanhar nenhuma série, jogar um videojogo ou ler um livro. Não queria pegar em nada nessas coisas enquanto não resolvesse situações importantes. Mas sei que vou perder esta luta para mim mesmo.
As burocracias estão a matar-me, finanças, conservatória, bancos, segurança social, depois os documentos não estão em ordem por incompetência, epá uma situação que me está a deixar de rastos. Estou a ver que não vou conseguir fazer a relação de bens dentro do prazo, sou filho único devia ser mais rápido. Não me apetece fazer nada, tenho que entregar o IRS, mas não me apetece, apesar de ter todo o tempo do mundo durante o fim-de-semana, sou mesmo triste.
Fui com a minha avó à consulta, as análises estão piores, ela abusa, come pouco e muitas porcarias, tenho medo que lhe dê um colapso o que seria péssimo para a minha vida. Ela é única pessoa que me ajuda, tenho que a estimar.
Desde que apanhei aquela constipação em Fevereiro, que não me sinto bem, qualquer corrente de ar fico logo com a garganta a doer. Estou a perder peso, vou várias vezes por dia defecar, estou preocupado será que tenho alguma doença? Será que é psicológico? Até estou com paranoia de ter um parasita dentro do meu organismo, lol.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Dias e Decisões Dificeis

Estes dias estão a ser difíceis. Relembro os momentos mais fortes várias vezes.. quando me ligaram a informar da morte, ela hospitalizada, as dores, quando contei à minha avó... a minha mãe está sempre presente no meu pensamento, acho que nunca sairá. Os objectos que eram dela como o rádio-relógio, que agora uso no quarto deixam-me deprimido. Queria fazer uma limpeza no quarto dela, mas não me sinto com forças, nem sei se algum dia terei. As pessoas foram muito simpáticas, como hábito não consegui responder, provocou-me um sentimento de tristeza por não ter capacidade de interagir com elas, mas ao mesmo tempo de felicidade por ver ajuda de onde não esperava. Queria ser como elas, ter histórias para contar :(. O funeral até correu melhor do que estava à espera. A minha mãe deitada na urna com bom aspecto, parecia que estava a dormir :(, chocou-me menos do que quando a vi nos cuidados paliativos ou em casa com dores. Os meus colegas de trabalho estiveram presentes, vários familiares se deslocaram de longe, várias pessoas amigas, não esperava que estivesse tanta gente, sensibilizei-me. Muita gente me foi dar os sentimentos que não conhecia de lado nenhum, muitos a viverem perto de mim, mais uma vez pensei o que ando aqui a fazer para nem sequer saber quem são. Nem na minha vila sei o que se passa. Os meus tios vieram e passaram alguns dias em casa, desta vez ele estava mais comedido pela minha perda. Foi bom conviver com ele, infelizmente sei que o comportamento dele mudará quando vier no verão e já começou ao telefone assim que chegou de viagem. O dinheiro que a minha mãe andou a gastar da conta da minha avó vai dar confusão, ele sente-se prejudicado e até lhe dou razão. Claro que enquanto lá esteve resolveu problemas que não fui capaz, como compor a persiana estragada. Agora a minha avó, bastante idosa, com fraca mobilidade terá que ficar praticamente todo o dia sozinha, tenho pavor que por exemplo ela caia e não consiga pedir ajuda. Não quer ir para o lar, prefere estar em casa na cama quase todo o dia. Ela come tão pouco, não se alimenta como devia, não come proteínas. Toma apenas o café ao pequeno almoço, sopa ao almoço, ao meio da tarde volta a tomar café, depois não come mais nada até o dia seguinte, tenho medo que lhe dê uma fraqueza. Insisto com ela, mas é a mesma coisa que nada.
Agora várias decisões se colocam e volto a deixar os assuntos andar sem os resolver. Encarar os problemas é uma dificuldade imensa. Depois tenho outro problema, enquanto não resolver um não parto para outro. O que fazer com o carro da minha mãe? Como ganhar algum dinheiro com os cd's e roupa que ela me deixou? Tento vender no OLX? Tanto cd por abrir ainda pensam que os roubei, lol. Tenho que preparar o apartamento para ir lá morar, terei que o fazer em breve, mas não me sinto capaz, sou mesmo limitado. Continuo com o problema na anca. Doi-me quando estou em pé muito tempo, quando caminho, quando faço exercício, quando levanto pesos, não me deixa em paz, por que não tento ajuda a um especialista ou tentar marcar uma ressonância magnética? Sei lá, fazer algo. Estou sempre angustiado, mas afinal o que me proíbe de viver e ser feliz?

sábado, 27 de abril de 2019

Falecimento Mãe

Ela não merecia este final de sofrimento. Uma pessoa tão bondosa, nunca fez mal a ninguém, por que a obrigaste a sofrer assim tanto, meu Deus? As últimas semanas foram terríveis, principalmente a última, ela estava sempre a chamar, desorientada, confusa das memórias, com alucinações, por exemplo fazia o gesto que estava a beber água quando não tinha garrafa na mão, pedia para sentar, depois para deitar, sentia-se desconfortável com dores insuportáveis. De madrugada pedia para tomar o pequeno almoço, quando era finalmente hora dizia que já o tinha tomado, queria o antibiótico para ver se as dores passavam, estava desesperada, tive tanta pena dela, custava-me vê-la assim sem saber como a ajudar, noites em claro, um inferno. Foi às urgências e não lhe fizeram nada, dias depois ela e eu já não aguentava a situação resolvi ir ao hospital falar com o médico da oncologia que finalmente a mandou internar nos cuidados paliativos. O médico disse que ela tinha superado as expectativas. Esperava que ela melhorasse das dores e ainda tivesse alguma lucidez. No dia que foi internada mal conseguia falar, eu dizia não te percebo e ela responde-me de uma forma tão nítida "também não percebes nada", as últimas palavras claras que ouvi da sua boca, respondi-lhe "pois não sou burro", que nem é mentira nenhuma. No dia a seguir fui visitá-la e encontrei-a num estado pior, já não conseguia falar, mal abria os olhos, não sei o que o seu consciente entendia,  parecia que já estava no outro mundo, a última imagem que ficou foi horrível não a vou conseguir tirar o resto da minha vida. Passou 3 dias lá, quando o meu telemóvel tocou às 7 da manhã de um número que não tinha na lista dos contatos já adivinhava o pior. Como vou ter forças para continuar? Devo sentir mais que as outras pessoas, pois não tenho família gerada por mim. Aquela foto que tirei no sofá quando esperava os bombeiros, a última foto tirada em casa mostrava que o fim estava próximo….não sei se a apague. A herança é pesada, ela apenas me deixou umas tralhas de roupa e cd's por abrir. O que vou fazer com aquilo? Não consegui realizar o último desejo dela, queria escolher um fato para vestir quando partisse, infelizmente já não foi a tempo de se concretizar.  Por causa desta minha personalidade as dificuldades aumentam, não sei decidir, sou  obrigado a conviver que é tão difícil para mim. Coitada da minha avó, ninguém merece ver um filho morrer.Acho que nunca vou superar esta dor. Espero que agora estejas num sitio melhor, Mãe. Amo-te eternamente!