sexta-feira, 24 de junho de 2022

Almoço "Paixão"; Festas de S. João;

Depois de muita indecisão, lá tive coragem de convidar a minha colega que labora em outras instalações para almoçar. Estava com receio de não ter tema de conversa e que o almoço corresse muito mal. Pensei em vários assuntos para abordar, acho que não adianta nada, não estou preparado para um diálogo em que consiga articular mais de 3 palavras seguidas. Atrapalho-me todo a contar histórias e acabo por desistir, falar não é natural para mim como os outros. A maioria das vezes faço perguntas para que os outros possam desenvolver. Nesse dia apareceu-me um chato no escritório e falou demasiado tempo, o necessário para chegar atrasado ao almoço, fiquei lixado, espero que não tenha levado a mal. O almoço decorreu dentro da normalidade, nem bem, nem mal. Toquei-lhe nas mãos, ela ignorou esse gesto, também no pescoço, não reagiu. Pedi-lhe uma selfie, acedeu sem problema. Contei-lhe que os meus pais divorciaram-se quando era criança, os problemas da minha mãe por causa do consumismo exacerbado de roupas e cd's. Ela ficou surpreendida com esta revelação, diz que era uma pessoa normal e não revoltado como acontece nestas situações. Ri-me para dentro quando disse que era uma pessoa normal, ela não deve fazer a mínima ideia que não tenho vida social. Queria desenvolver, contar o que sofro, dizer que não tenho amigos, dos meu problemas em interagir com o outros, partilhar o meu desgosto por não saber viver. Ela deve ser o oposto, deve ter montes de amigos, é vocalista de uma banda, habituada a festas, bares, saídas noturnas, tudo que não vivi. No final do almoço nem me lembro como a abordei, ela disse que eu merecia muito melhor que ela, mas acredito que o pensamento dela deve ter sido exatamente o oposto, não estou ao nível dela. Quando um dia passou de manhã pelo escritório e vi capacidade de comunicação dela com as minhas colegas fiquei deprimido, queria entrar no diálogo mas não consegui. É sempre assim, por isso escolho a solidão. Fui eu que paguei, espero que ela me convide, lol, posso esperar sentado. Quero estar novamente com ela sozinho, talvez no próximo mês a convide para um lanche, sou mesmo masoquista. Um dia queria constituir família, mas vamos a factos: Como vou arranjar mulher? Não saio de casa, não procuro nas redes sociais. Mesmo que saísse, com a minha timidez nunca iria conhecer ninguém. Se conhecesse não tenho capacidade para aguentar a relação, vejo-me aflito para cuidar da casa, não conseguindo resolver os problemas.. A única maneira que tenho de me relacionar é no meu local de trabalho. Aconteceu com a minha ex, e está acontecer com esta. Já passaram 10 anos, nunca mais a vi, pergunto-me como ela estará. Será pensa em mim? A actual tem me vindo a encantar com as histórias de bondade que conta, ela no inicio assustava-me com a sua aparência cheia de tatuagens, piercings e a própria maneira de vestir. Com o passar do tempo vi que era uma pessoa 5 estrelas. Recentemente soube que uma colega minha de infância da minha idade continua solteira como eu. Ela chegou a gostar de mim quando era criança e era boa onda. Podia tentar conhecê-la para ver como ela estava, mas como?

Festas de São João... este dias todos os anos são sempre de sofrimento, a maioria das pessoas na rua em folia e eu em casa sem conseguir sair. Este ano esperava-o passar na mesma forma, no entanto na última hora decidi ir...não na minha terra que acho muito perigoso, mas sim onde eu trabalho. Cheguei cedo, cheio de fome comprei umas pipocas e fui dar uma volta a pé, depois fiquei especado à espera das marchas. Enquanto não chegavam, um grupo cantava musicas populares portuguesas, fiquei de olhos fixados na actuação (como gostava de ir a festivais de verão ver bandas internacionais). De vez em quando olhava em redor para ver se estava alguém conhecido. Não tinha a mínima disposição de conversar com ninguém, ainda estava mais retraído que o habitual. Ali é um espaço que devia ser para conviver, não de ficar no meu mundo. Assistia e sonhava ser outra pessoa. O meu colega lá andava a marchar, invejo a maneira como vive. Fui para casa por volta da 0:30, dormi como som de fundo da música lá de fora a pensar se vale a pena continuar...

Uma semana de calor intenso e aproveitei logo para ir conhecer uma praia fluvial relativamente perto, a meia hora de distância. Gosto destes pequenos passeios, mas quero passar para o próximo nível, ir uns dias para fora de casa, ficar alojado num hotel, não sei se um fim-de-semana ou uma semana. Começar a ter essas experiências fora de casa, para um dia fazer uma viagem internacional. Pequenos problemas em casa me apoquentam como por exemplo a única tomada da minha casa-de-banho não funciona, não consigo temperar a água no banho, quando a ligo fica a ferver quando reduzo fica gelada. Chove na minha garagem, quero comprar uma bicicleta elétrica, mas sem eletricidade não dá. Não sei a quem recorrer, tenho vergonha.

A minha avó saiu do lar e já está em casa dos meus tios, logo por azar os pés e as pernas incharam e agora não consegue mover-se em condições.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

A minha colega "ataca" novamente; Lar doce Lar...Not

Hoje estou em modo depressivo, tudo por causa de algumas atitudes da minha colega, que para mim prova o quanto irrelevante e inútil eu sou nesta vida. Por exemplo chega ao escritório e diz bom dia olhando para a minha colega, ignorando-me, o mesmo quando são outras pessoas, só quando estou sozinho é que me cumprimenta. Ela não faz por maldade, e isso ainda me chateia mais! Uma tarefa em que foi chamar um colega, pois achou que eu não seria a capaz de executar, infelizmente com razão! Falaram as duas, eu queria participar mas não consegui, ela não leva nada a sério do que eu digo. Organizei um armário, ela disse "milagre", como se estivesse a falar do meu colega que é um desorganizado do caraças, mete tudo no mesmo saco, por causa da minha personalidade não consigo falar abertamente com ela. Não devia levar a peito, mas pk deixa-me assim tão angustiado? Com vontade de chorar continuamente? É constante esta situação com ela, estou farto de não conseguir controlar. Às vezes acho que a melhor maneira de lidar com ela é brincando, mas leva tudo a sério. Ela de vez em quando fala comigo de uma forma hostil, será que quero que ela sinta pena de mim? A implementação do novo software tem sido complicado, não estou a gostar da forma como os chefes estão a organizar a estrutura. Já tentei explicar que não faz sentido, mas não consigo passar a mensagem, deixando-me frustrado. Quando falo com o apoio não consigo transmitir as minhas dúvidas. Espero que dê para tirar os relatórios que eles querem senão estou tramado!

Estou a escrever pela primeira vez da minha nova habitação. Estes dias de mudanças têm sido complicados. Estou me habituar às rotinas das tarefas domésticas, seleção das loiças, definição dos lugares das coisas. Tudo tem que ficar de uma forma prática e de preferência com uma estética agradável. Estou a ter muito trabalho, limpeza da dispensa, marquise, sótão, garagem, é só lixo que a minha mãe tinha guardado. Centenas de cassetes VHS onde gravava as novelas, cd's, etc. Para quê se depois nunca via ou ouvia? Tanto dinheiro deitado no lixo, meu Deus. Guardei as centenas de cd's originais, alguns selados, pode ser que um dia os tente vender na internet. Tenho gasto algum dinheiro em restaurantes, quando tiver estabilizado tenciono no futuro levar comida para o escritório, sempre fica mais barato e não tenho que gastar gasolina, o problema é que normalmente ela está lá e preferia estar sozinho. Ás vezes almoçam lá, como iria fugir do convívio? Lol Só eu. Sempre ocupado, não tenho tido tempo para ter a minha vida habitual de lazer como ver filmes, séries, ler, videojogos, escrever... O sono também está complicado, demoro algum tempo a adormecer e acordo mais vezes que o habitual. O barulho das dezenas de andorinhas que têm aqui ninhos em pleno prédio irrita-me. Para meu azar debaixo de mim mora um casal que tem um filho pequeno que me acorda de madrugada, um despertador antecipado, não sei se me vou habituar, é que o meu cérebro parece que já está à espera. Está complicado chamar o apartamento "lar doce lar", por estranho que pareça gostava mais do meu quarto antigo que era pequeno do que este maior, não me sinto confortável. A mobília é antiga, os armários não fecham, as gavetas da mesinha de cabeceira custam a abrir e a fechar. Os fechos são horríveis, não consigo trancar nenhuma das minhas janelas, o portão da garagem e a porta do sótão vejo-me aflito para trancar/destrancar.  Infelizmente adapto-me facilmente e em vez de procurar melhorar, tento arranjar soluções tortas. Por exemplo no WC, para suporte dos champôs usei um banco, em vez de usar a toalha de rosto, utilizo toalhas de papel...tenho a liberdade para dar um toque pessoal à casa, colocar as luzes RGB, quadros de temas que goste, tapetes a ao meu gosto. etc. O único toque pessoal que dei foi no escritório onde decidi a cor a utilizar e escolho a mobília, de resto estou a aproveitar tudo que cá estava, sinto-me envergonhado por esta incapacidade.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Tempos de Mudança Casa e Trabalho

É já no próximo fim-de-semana que vou mudar para o meu apartamento. Pela primeira vez vou morar sozinho, ter que gerir uma casa, não sei como vai ser e isso deixa-me stressado. Sigo um plano,  que tracei, elaborei um excel para não me esquecer de nada, lol. Comecei a pedir a água, depois a luz, gás e finalmente comunicações. Neste momento já tenho estas 4 coisas essenciais.... mais despesas para pagar.  Têm sido dias complicados, ter que carregar tudo sozinho para um 2º andar, muita roupa onde 99,99% foi escolhida pela minha mãe ou que me foi oferecida, sinto que preciso de fazer uma renovação no vestuário, comprar à minha escolha, mas para quê gastar dinheiro se tenho imensa? Levar vários artigos, principalmente as centenas de cd's e vinis, muitos ainda selados, onde minha mãe estoirou todo o dinheiro da reforma... um dia espero realizar algum valor com eles, às vezes acho que mais vale deitar tudo no lixo e não perder mais tempo com isso. Também roupas, ainda com etiquetas e com preço, já coloquei uma minoria à venda na aplicação Vinted, vários sapatos e casacos e até agora já vendi 4 pares fazendo a quantidade fabulástica de 12 euros. Já defini os lugares onde quero colocar as coisas, mas já voltei atrás, quero tudo organizado de uma forma que não ande aos pontapés aos moveis, mas não sei como... onde vou arranjar espaço para aquele cadeirão que é enorme? Onde vou enfiar tantos cd's? Existe tanto lixo no sótão e na dispensa, tenho tanto trabalho pela frente! Enquanto não colocar tudo como quero não vou descansar! Mas por onde começar? Qual o assunto mais prioritário? Agora o essencial é conseguir efetuar as tarefas domésticas em condições. Cozinhar, tratamento da roupa, da loiça, etc. Ainda nem vi como é que os eletrodomésticos estão a funcionar! Tenho que comprar tanta coisa urgente, a lista é enorme! Nesta fase de transição, gostava de continuar a almoçar com eles por uns dias, ainda não sei como vai ser essa parte, tenho medo de lhes perguntar como vai ser. Não querem que pensem que vou ser um peso para sempre. Ando a comer a comida do lar que supostamente é para a minha avó, ela ainda se encontra internada(felizmente já recuperou a forma de antes da queda). Sou mesmo fraco, não tenho músculos para carregar demasiado peso, doi-me as costas, omoplatas e até torcicolo, nem consigo virar o pescoço para a esquerda. Tenho mesmo que procurar ajuda a um especialista para estas mazelas, como no pé e na coxa que me apoquentam à tanto tempo. Nesta mudança noto claramente a minha falta da habilidade, tenho que recorrer a terceiros para me ajudarem em muitos assuntos, principalmente aos meu tios. Tarefas como limpar a casa, desinfetá-la, pintar algumas partes, montar os moveis, etc. Agora por exemplo  quero comprar suportes para a casa-de-banho, mas não sei aplicá-los, lá vou ter que pedir o favor, sinto-me envergonhado. Tenho a certeza se me dedicasse provavelmente conseguiria, não deve ser difícil trabalhar com um berbequim ou uma aparafusadora... mas o medo de falhar é demasiado. Estou a pensar comprar alguns artigos, como fazer o upgrade ao meu velhinho pc de 2005, comprar umas sapatilhas de qualidade para correr em condições, uma bicicleta elétrica para andar em trilhos ou ir para o trabalho quando tiver melhor tempo.

No trabalho também existiram mudanças. Começamos a implementar um sistema novo, que nos está a dar dores de cabeças descomunais. O raio do software não funciona em condições, é bastante confuso, tem havido demasiado erros, desaparecem registos, maldita a hora que os chefes escolheram adquirir aquele lixo. Entrou uma nova colega para me ajudar a colocar os papeis em ordem mais depressa. Já estou em paranoia a pensar que no futuro seja para me substituir. Já a conhecia do passado, antigas empresas já tiveram relações comerciais, e não tinha opinião positiva dela.  Ainda é muito cedo para avaliar, no entanto até agora tem se revelado uma boa surpresa. Parece que é mais do meu estilo, calma, fala o essencial, espero que seja bem diferente dos outros dois...

terça-feira, 22 de março de 2022

Melhorias Avó; Reunião Condomínio Ida ao Teatro

A minha avó felizmente está melhor. Fiquei tão contente quando a vi a dar uns passos sozinha com a ajuda do andarilho. Consegue-se levantar sozinha, ir à casa de banho, assim já não têm justificação para a colocarem num lar, seria terrível para ela. Todos os meus familiares chegados apanharam covid 19, não sei como escapei uma vez que moro com eles. A minha ida sozinho no dia da visita acabou por ser a melhor de sempre, o diálogo com a simpática fisioterapeuta foi intenso, aquela meia hora passou a voar. Deve ser isso que outros sentem nos convívios, perdem a noção do tempo que passa rapidamente. Temo a sua reação quando souber que me vou embora, sempre morei com ela. Espero que para o próximo mês já possa voltar para casa.
Reunião de condomínio. Tive azar com os donos dos outros apartamentos, são pessoas conflituosas. Passaram toda a reunião a discutir, a gritar, por assuntos quase insignificantes. Só pensava, onde me vi meter? Se eu já sou calado por natureza, assim ainda fico mais inibido. Tive um voto contra num assunto e nem sequer fui capaz de argumentar, fico sempre bloqueado, à espera que falem por mim. Não sei lidar com gente, esses que berram e geram conflitos é que vivem. 
No trabalho parece que estou cada vez mais introvertido, hesito sempre em falar penso que vão reagir mal e acabo por me calar. Porque não conto o que se passa com a minha avó? Podia contar os pormenores, ou outras histórias como essa de me ter safado ao covid., ou ir mudar para outro lugar. Por que acho que eles não têm interesse em saber? Porque guardo tudo para mim, quando eles fartam-se de falar da vida deles?
Cada vez sinto que estou a trabalhar para o boneco, o meu trabalho não é aproveitado, está cada vez pior, a desmotivação que sinto é imensa. Não me consigo concentrar no que estou a fazer, as vozes na minha cabeça não param, estão sempre presentes. No final do ano passado foi combinado que íamos arranjar um novo software para começarmos este ano... já estamos quase no final do trimestre e nada de decisões.
À semanas que estou com dores nos tendões das mãos, aquela horda do Days Gone levou horas a matar, provoco-me danos, agora estou a aflito e penso que nunca mais vou recuperar. Não me consigo desligar do meu mundo, logo agora que estou em fase de mudança para o apartamento, devia estar no meu tempo livre a preparar a mudança, como decidir os cortinados, tapetes, iluminação, etc... vou acabar por deixar que os outros façam por mim.
Nunca tinha ido ao teatro, talvez tivesse lá ido quando era criança, não me recordo. Estava nos meus planos assistir uma peça, variar um bocado do cinema. Mas não contava ir lá tão cedo, até que no instagram, uma actriz partilhou um cartaz de uma peça em que uma amiga ia actuar. Uma jovem bonita aparentemente desnudada, chamou-me logo a atenção. Li a sinopse e eram assuntos que me interessavam; decidi lá ir. Comprei o bilhete online, já restavam poucos, pensava que ia ter mais dificuldades. O problema é que para esse dia tinha combinado um almoço com o meu pai por isso tinha que ser rápido. Através do Fork reservei um restaurante onde nunca tinha ido, experimentar novos lugares...este ano foi  a primeira vez que "saí". Também queria que me ajudasse a mudar uns moveis de sitio, correu como tinha planeado tirando o facto de ter transpirado imenso, não tive oportunidade de tomar banho e agora estou doente, doi-me a garganta, tenho tosse, zumbido na cabeça, sinto-me fraco. O meu pai é 35 anos mais velho que eu e tem muito mais resistência, certamente a vida de agricultor ajudou-o a conseguir mais "imunidade". Estacionamento no centro das cidade para mim é sempre um problema, acho que por mais que procure não encontro. Estacionei numa travessa onde os estacionamentos estavam marcados com números. Será que estavam reservados? Pensei que podia lá estacionar...o certo é que no dia a seguir vejo que o meu carro está riscado, Será que foi aí? Saiu-me caro, mas vou ficar sempre com essa duvida. Entrei no teatro, faltavam cerca de 15 minutos para a peça começar. Perguntei se podia entrar na sala, mas o segurança respondeu que só ao fim do gongo tocar, denunciando assim a minha falta de experiência nesses eventos. Quando entrei, olhei em redor, nunca tinha estado num "anfiteatro". Começou o espetáculo, fiquei impressionado com o lindo cenário, com a capacidade dos actores falando numa linguagem rica e ao mesmo tempo gesticulando fazendo uma performance genial. Como conseguem memorizar tantos diálogos sem nunca se enganarem? Entrou em cena a jovem bonita, que se despiu completamente, exibindo um corpo fenomenal. Como deve ser bom ter um amor como aquele, sexo, deprimi ao saber que é impossível para mim estar com alguém assim. No final senti-me burro, pois não percebi um crlh da peça, mas para minha defesa foi um sentimento geral, é bastante confusa, até os encenadores admitiram. Na altura confesso que não reconheci os atores, mas no final quando fui pesquisá-los vi quem eram. Os mais velhos participaram em várias novelas, filmes, um deles até participou na famosa série "Vikings". A mais jovem não é assim tão conhecida, mandei-lhe uma mensagem a elogiá-la e ela respondeu com um obrigado, abraço. Comecei-a a seguir no insta, vi as fotos dela, tantas viagens que faz... e eu sei nunca ter ido a lado nenhum de férias. Já em principio de noite, fui dar um passeio a pé pela zona histórica, muitos bares, muita gente na rua a conviver, eu nunca vivi isso... a saída para fugir à rotina acabou em depressão. Tenho que começar a experimentar novas coisas, diversificar as minhas saídas. Sozinho é complicado é como se tivesse a fazer alguma coisa de mal. Uma das coisas que quero fazer é ir ao estádio do meu clube ver um jogo de futebol ao vivo.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Projecto; Indefinição; Videovigilância

Sábado, após o término do almoço, chamou-me para ter uma conversa. Vi logo pela cara, que seria certamente uma conversa séria. Contou-me dos seus planos para o futuro, transformar o piso de cima numa espécie de apartamento. Vai destruir o meu quarto e a sala para construir uma sala de jantar/estar e uma cozinha. Claro que neste projeto não poderei viver aqui, terei que deixar a casa brevemente. Já tinha dito no outro dia que não vinha para Portugal para trabalhar e que ele e a mulher precisam de descanso, ela anda sempre a correr de um lado para o outro, a descer escadas, sempre atarefada com as tarefas domésticos, entendo isso. Ouvi, ouvi e não consegui falar como normal. O meu cérebro está confuso, sinto uma mistura de emoções, por um lado fico aliviado, é como se ele me desse autorização para ir viver a minha vida, lol. Vejo maior independência e algumas ideias engraçadas que provavelmente não saíram da minha cabeça, como comprar um carro elétrico, uma bicicleta elétrica, uma consola, um novo pc, viajar, aprender a nadar, não ter que dar satisfações a alguém...na realidade vai ser mais um passo para aumentar o isolamento. Por outro lado tenho medo que não tenha a capacidade de me virar sozinho, sou um nabo nas artes domésticas, cozinhar todos os dias vai ser complicado, os gastos vão ser maiores, luz, água, comunicações, gás, alimentação, etc.  No entanto essa decisão ainda está dependente do orçamento que o empreiteiro vai dar, por isso pode não ser uma decisão final. Por um lado quero seguir com a minha vida, por outro quero continuar como estou. Sei qual a decisão certa a tomar, mas o meu outro lado diz que não. Devia ser eu a controlar a minha vida, mas não, deixo os outros decidirem, é como se tivesse que pedir sempre autorização a alguém. Estava com medo que me chateasse com ele. Mas chatear-me por quê? Eu já devia ter procurado ter uma vida própria à 20 anos atrás. Assim que chegassem, um homem normal saía, só eu preso com esta personalidade ridícula.

A situação da minha avó está indefinida, não sabemos como vai ficar a mobilidade dela, se alguma vez vai voltar a andar sozinha. Eles querem colocá-la num lar, pois não estão para ter o trabalho de cuidar dela, é um fardo muito pesado, apesar de achar que fazendo um esforço era possível, mas tenho que aceitar. Eu também podia ajudar, mas não sei como. Ela na última visita disse que só queria voltar para casa, até disse que já deu uns passos para dizer que já está melhor. Acho que é força dela, melhorar para poder voltar à sua casa, quando receber a noticia que vai para o lar vai ser uma desgraça. Saudades de quando eu, a minha mãe e a minha avó íamos ao super, às vezes almoçávamos fora, eu normalmente resmungão por demorarem muito tempo...não soube aproveitar o momento.

Na empresa começaram a instalar um sistema de videovigilância o que é uma péssima noticia para mim, vou ficar super condicionado, uma sensação de prisão constante, observado a qualquer hora mesmo estando sozinho. Agora já não posso colocar as músicas que eu gosto, ou dar o meu passeio para espairecer a cabeça. Já tivemos um antigamente, nessa altura era controlado por mim, as imagens também tinham fraca qualidade, nessa altura nem me senti preso, mas agora tudo parece diferente.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

"Férias", Previsão Futuro Negro; Twitch; Incel; Recuperação Avó

A minha colega que tanto me massacra teve um pequeno problema de saúde e tem estado de baixa umas semanas. Sei que é mau, mas fiquei contente, sem ela no escritório sinto como se estivesse de férias, estou muitas vezes sozinho, sinto-me livre! O meu coração aperta ao pensar que vai voltar em breve. O chefe contou-me os planos para o futuro, brevemente vai entrar uma nova pessoa no escritório, uma velha conhecida...estou em pânico, já trabalhei com ela no passado e parecia-me uma pessoa horrível, sempre a mandar bocas, criticando-nos. Isto à mais de dez anos, será que ela está na mesma? Ela entretanto casou com um grande empresário da região, por azar ele não quer que trabalhe numa empresa dele, por causa de não prejudicar o relacionamento. Tenho medo que o chefe me pretenda substituir por ela. Os dias futuros parecem-me complicados, estou a imaginar as duas aqui no escritório a tornar o local um inferno para mim, uma prisão. Tenho também medo que revele as minhas incompetências. Depois da bonança vem a tempestade, tento aproveitar os últimos dias... será que vai ser o meu fim na empresa?

Twitch, uma plataforma que uso muito para visualizar o conteúdo de streamers sem gastar um cêntimo. No entanto tudo mudou, através do tik tok conheci uma streamer que me encantou. Comecei a segui-la, ela é simpática, querida, bondosa, adoro ver. Comecei a subscrever e a dar dinheiro, nunca pensei que um forreta como eu um dia fosse gastar dinheiro em "vão". Ontem stream dos dia dos namorados, ela convidou várias pessoas para contar as histórias dos seus relacionamentos. Estava a ser entretido, histórias hilariantes da faculdade, de namoradas, grupos de amigos, etc. De repente deu-me uma tristeza profunda ao ver que eu não tenho história nenhuma para contar, apenas aquela em que me deixou em depressão e obsessão. Mesmo se tivesse alguma seria incapaz de contar em voz alta, por causa do meu problema de saber dialogar. Como gostava de me juntar a eles no discord, falar durante a live :( Pensei no ser patético que sou, por não ter vivido nada daquilo, tudo por causa da minha personalidade introvertida. A minha vida resume-se a casa-escola-casa e depois casa-trabalho-casa. Quando me convidam ficava em pânico, das poucas vezes que saí só queria ir para casa, não sei ter uma conversa, só quero estar sozinho.

Incel, outro termo que aprendi recentemente. Uma pessoa com celibato involuntário, estado em que se mantém solteira. Serei eu um incel? Quero ter uma companheira, uma família, mas como posso obter uma se não vou à procura de relacionamentos? Tenho medo, quero ficar sozinho, não tenho paciência para aturar os outros, sinto que não tenho capacidade de sair do meu mundinho e assumir a realidade. 

A minha avó encontra-se internada numas instalações caras, 50€ por cada dia. Teve que ser, não tínhamos condições para a ter em casa e esperemos que lá recupere mais rapidamente. Só a podemos visitá-la uma vez por semana, por causa do trabalho só a a vi uma vez. Pareceu-me com melhor aspecto, a recuperar lentamente. Uma das técnicas avisou que provavelmente nunca mais vai poder andar o que seria catastrófico para nós. Se pelo menos conseguisse levantar para fazer as necessidades numa cadeira especial que nós comprámos...



sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Queda Avó; Principal Objetivo de Vida

A minha avó andava devagar, com algumas dificuldades, mas conseguia se levantar da cama, ir à mesa tomar as refeições, estar um bocado sentada ao pé de nós. Tudo mudou quando durante a madrugada caiu e fraturou a anca, não conseguiu subir um degrau da casa de banho, caindo para trás. Maldita casa, que não é plana e está cheia de armadilhas. Eu já previa que isso um dia podia acontecer, da maneira que ela de vez em quando se movia, aos tremeliques. Procuro as causas e maneiras de poder ter evitado este acidente. Ela mudou recentemente de medicação, foi por causa disso?  Ela estava a comer melhor, a engordar, será que o maior peso lhe provocou mais dificuldade a andar? Se tivéssemos afixado um suporte naquele sitio como colocámos em outros lugares... olho para ela e o meu coração torna-se pequeno ao ver o seu sofrimento, grita com dores, vê-la é uma aflição, parece que envelheceu 5 anos, de um dia para o outro, respira com dificuldade, de boca aberta, lábios secos. Preocupado também com o cérebro dela, às vezes fala bem, outra vez parece que está desorientada desconhecendo onde está e o seu estado atual. Sinto que com esta queda vai perder anos dia vida, será que alguma vez recuperará? Pergunto-me, e se tivesse acontecido quando estava cá sozinho com ela? Como me ia safar? Não deixa dormir o pessoal com os gritos que dá durante a noite. Para complicar, estamos no Inverno, na altura de maior frio. Chamámos a ambulância de manhã, esteve no hospital o dia todo a realizar os exames. Aconselharam a não irmos lá, uma vez que teríamos que aguardar cá fora. Á noite teve alta e ligámos aos bombeiros para ir buscá-la. Quando disseram alta, fiquei contente pois pensei que não fosse tão grave. Não falámos com o médico, apenas lemos o relatório onde ficámos confusos com o palavreado muito técnico, levantámos os medicamentos da receita e procedemos como o descrito. Não compreendo como ela não ficou internada uns dias, com pessoas que têm formação para cuidar dela. Está uma miséria o sistema nacional de saúde. Tivemos imensa dificuldade em colocá-la em casa, principalmente a subir os degraus, com pouco espaço de manobra, tiveram que ser 4 homens a levantar a maca. Um deles era eu que sou um fraco, esforcei demasiado e a tenho a sensação que a minha tendinite piorou. Estamos a pensar que a melhor solução talvez seja interná-la num serviço de cuidados continuados, mas nesta altura deve ser difícil arranjar vaga, para além de ser caro, teríamos que gastar as poupanças dela.  Lá estava melhor, com gente habituada a tratar destes casos, mas por outro lado não sei iria gostar, pensando que a íamos abandonar e eu também me sentiria mal. Não gostei da forma com que o meu tio lidou com  a situação, só dizia em tom de critica "em bem avisei que devia caminhar mais", até pode ter razão mas não vale a pena estar a dizer isso a uma pessoa já fragilizada, falando sempre como se fosse um fardo. Ainda por cima este acidente aconteceu uns dias antes de completar mais um aniversário, um dia que devia ser de festa e que agora vai ser de tristeza. No escritório fui incapaz de desabafar com alguém. Por que não consigo? Tenho medo das respostas? Que sintam mais pena de mim?

Ela ainda tem alguém que possa tomar conta e eu quando precisar? É triste que o meu principal objetivo de vida é poupar para ter dinheiro para poder enfrentar a velhice com maior tranquilidade, mas negando assim o prazer de viver, ter a minha independência, ter bens materiais melhores, como um carro, tecnologia, maior conforto, viajar, etc. Mas se chegar a velho terei a mente suficiente forte para suportar uma vida de dependência dos outros? E se tiver uma doença repentina? Todos os ganhos que acumulei vão-se perder, ficarei de rastos. Não é tarde para gerar uma família, mas os minha personalidade não me deixa.